[Manifesto do furo]

Foto: Arthur Camargos [Desenho, Pintura, Bordado & Tattoo]

Na última terça-feira, 6 de junho, a gente resolveu fazer uma sessão de fotos pra nossa programação do feriado em que rola a Caminhada das Lésbicas e Bissexuais e da Parada do Orgulho LGBT.

Como não podia deixar de ser, nossas moradoras e moradores desceram arrasando muito, peruca, maiô, make, só arraso. Não demorou nem 10 minutos para chegar um homem hétero cisgênero, organizador de um negócio não licito que rola na vizinhança (e pelo país inteiro, né galera?) e pediu para falar comigo.

“Você que manda aqui?”

Respondi que não era bem mandar mas que eu que organizava. E continuou: “você tem que resolver essas coisas aí”. Expliquei que ninguém estava fazendo nada de errado e que eu não tinha o que fazer por ele.

“Não tem o que fazer, tá bom então”. Saiu, falou com o parceiro do outro lado da rua e fui então dar aquela volta para conversar com as vizinhas e vizinhos que gostam da gente e que também tem seus contatos que ajudam a gente a permanecer tranquilo. Na volta a galera estava afoita: o parceiro do cara tinha vindo ameaçar bater e saiu bufando.

Deixamos a vizinhança se resolver porque, né, a gente quer é bem ficar de boa, mas a treta ficou rolando. No dia seguinte um outro vizinho partiu pra cima de uma das mulheres trans que arrumavam o nosso paliativo, onde distribuímos roupas para pessoas em situação de rua. E ontem uma mãe mandou devolver os livros de inglês infantil da filha, que fazia aulas às sextas-feiras.

A gente só consegue pensar que “pra que tudo isso por conta de um fio dental?”, mas tamoaí e se tem uma coisa que a gente já aprendeu é que sempre vai ter gente que não tem o que fazer e prefere se preocupar com o furo alheio.

Acontece que também aprendemos que o nosso trabalho é dialogar de forma insistente e constante e resistir, resistir muuuito, por isso queremos a ajuda de todas e todos vocês. Domingo, às 14 horas, gostaríamos de fazer uma reunião com a galera de comunicação e artes, assim como de direito, para sentar e pensar em estratégias de estabelecer uma comunicação com o nosso entorno.

Queremos nossa vizinhança cheia de pôsteres, textos, cartazes, obras, ações, reflexões e tudo o que for possível para fazer com que as pessoas entendam que todo mundo tem o direito de expressar o que é, como é.

Então esperamos vocês no domingo, as 14h, na Casa 1, Rua Condessa de São Joaquim, 277.

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