Das transas
Paixões vem e vão. Preenchem nosso ser por algumas semanas, meses, quem sabe um ano.
Amor não. O amor se instala, nasce das entranhas e se calcifica nelas como uma proteína que não desgarra de uma célula.
Sinto me amando, diariamente, semanalmente, anualmente. Aquele amor que a cada estalar de uma bola do melhor vinho irrompe o tempo com beijinhos cariciosos ao pé do ouvido.
É quente nosso amor, quente pelas aparências que mantemos ao mundo, quente pelas caras e bocas que fazemos aos nos entregarmos no doce vai e vem de uma transa.
Chegamos agora perto de tuas bodas, a segunda que acompanho perto de ti e posso declarar meu amor por ti no simples gesto de dizer EU TE AMO.
Digamos que palavras dizem muito, atitudes também e que muitas vezes falho nas duas, o amor que irrompe das entranhas não me deixa mentir: EU TE AMO.
Parabens.
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Agora estou aqui, entornado após o suor secar e o fôlego voltar ao normal. Imagino quantos casais realizam esse gesto como algo mecânico, como girar a chave do carro, ligar o motor e dar partida.
Me levanto, vou até a cozinha, pego o copo d’água e através dele contemplo a água cair leve, fluída, gelada, respingando em minha pele ainda morna da fricção. Volto ao quarto e contemplo aquele corpo moreno, com cortonos bem definidos, a cor do pecado proposto por alguma dinvidade que se não caiu do céu por tentação, enviou uma mensagem para a parte de baixo do etéreo.
Ela está lá deitada, suas pernas estão entreabertas me convidando novamente para uma visita nada casual, mas porém, me controlo e guardo o melhor para outra noite.
Sento na cama e alizo suas nádegas, que dádiva é poder fazer isso. Imagino quantos casais realizam esse gesto como algo mecânico e caiu no ato mecânico de dormir ao seu lado.
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Doce como uma fruta madura é teu beijo. Dizem os cientistas que a cada beijo, outro nasce. Como uma hidra tu se alimenta de minha saliva e faz das trocas de fluidos tempero que esquenta o céu da boca.
Tu pegas minha mão, a envolve em teu corpo contornado e leva a boca até minha orelha, repuxada como um saco plástico, mordida como um pedaço de carne suculenta. Em brasa te espeto no colo, orgãos se chocam no vai e vem e tu me dominas, me rasgas as costas com as unhas não aparadas, me cansa, tira meu fôlego gozando comigo o momento sublime do amor.
Por fim, uma risada e uma pergunta. Fica tudo guardado para uma próxima vez.