A fazenda da troca

Durante um memorável dia, um fazendeiro, cansado de ter que medir as quantidades exatas de ovos que deveria utilizar em troca de chapéus espalhafatosos e armas das mais diversas, teve uma brilhante ideia. Se reuniu com alguns companheiros e juntos decidiram que algo deveria ser mudado para facilitar as suas vidas: criar um único objeto de troca equivalente a vários outros objetos.

A ideia logo foi posta em prática e dissipada por toda a região e em seguida pelo mundo inteiro. Muitos dos grandes fazendeiros trocaram então o campo pela cidade e iniciaram uma grande plantação de máquinas, cultivadas por seus novos peões (outrora peões do campo).

O objeto de troca, concretizado na forma de papel impresso ou metal moldado, ganhou diversas variações ao redor do mundo e também um nome oficial: “dinheiro”. Entre os países, inclusive, o dinheiro possuía valor de troca diferente. Apesar da aparente complicação quanto à conversão dos valores de troca do dinheiro, o comércio entre países foi facilitado e as fazendas de máquinas ganharam força total em diversos locais.

Ao passo em que os peões cultivavam as máquinas e colhiam exaustivamente seus frutos, os grandes fazendeiros acumulavam dinheiro. Com este dinheiro, plantavam mais máquinas e contratavam mais peões, o que gerava mais dinheiro para o fazendeiro e assim sucessivamente. Em contrapartida, tamanha produção pouca mudança fazia na vida dos peões das máquinas. Aliás, muito pelo contrário: trabalhavam e produziam muito, porém pouco contato tiveram com o objeto de troca tão desejado por todos, tampouco com os frutos da colheita a qual haviam realizado.


O dinheiro, na verdade, representava algo já muito conhecido por todos desde os tempos mais remotos. Não se tratava de apenas um pedaço de papel ou um pedaço de metal moldado. A nomenclatura “dinheiro” era apenas um sinônimo da palavra “poder”. Os poucos fazendeiros sempre buscaram meios de se sagrarem mais poderosos do que os muitos peões, seja através de religiões, seja através de dinheiro ou mesmo outros meios. E é sabido que o poder se concentra nas mãos de poucos, como prova o decorrer de toda a história da humanidade.