A escolha por uma vida mais saudável

Só consigo lembrar de mim gordinha.
A memória mais antiga em que me reconheço gordinha, eu deveria ter uns 8 ou 9 anos.
Naquela época isso não me incomodava. Eu pensava só em brincar e comer. 🍗
Ninguém nunca tinha falado sobre isso ou feito piadas, então estava tudo certo.

Um belo dia, uma professora de Educação Física (sempre tive trauma com professores dessa disciplina) disse pra mim:
“Vamos fazer um exercício para perder esse estômago aqui?”
Enquanto tocava minha barriga.

Eu tenho 31 anos e nunca esqueci isso. Queria, mas não esqueci.

Depois disso eu só fui ganhando mais peso. Na 6ª/7ª série eu pesava 62kg e deveria ter 1,56 de altura. Eu estava imensa. Me sentia mal com as roupas, triste mesmo. Nenhum menino se interessava por mim, e com 13 anos, tu quer que as pessoas te notem.

Eu via as minhas colegas magrinhas, rodeadas de meninos e eu associava ao meu peso. Só poderia ser o peso. Hoje vejo que faltava postura, confiança e muitas outras coisas. Haviam meninas gordinhas super populares e que faziam sucesso com o meninos, mas para mim era o problema era o peso.

Lá fui eu para minha primeira nutricionista, a Ondina. Chego lá e vejo que ela era gordinha. Me identifiquei e nunca pensei o que muitos dizem “Nossa, nutricionista gorda não pode! Pode SIM!
Tanto pode, que reduzi 10kg sendo paciente dela.

Mas claro que outras coisas deveriam ter sido tratadas, pois a baixa auto-estima acompanha você independente do peso. Ela está sempre ali, te apontando os defeitos, mostrando que você não vai conseguir.
Logicamente que cresci um pouco mais, mas os peso foi voltando. E passei todo o ensino médio sendo gordinha.

Como era complicado. Era muito complicado.

Eu tinha melhorado um pouco e me achava menos pior do que no ensino fundamental. Eu escolhia mais as minhas roupas, acessórios e cortei o cabelo.
Claro, eu fui me conhecendo mais, sabendo o que funcionava pra mim, mas o peso sempre estava ali, presente. E não adianta você mudar de roupa, cabelo ou o que quer que seja se você não está feliz com seu corpo.

Não, ser gordo não é defeito, mas eu não me sentia bem. E nem falo só da dificuldade em achar roupas, falo de não conseguir caminhar muito, de estar sempre com os pés e pernas inchados, de cansar subindo uma rampinha de nada. E quando isso acontece o peso precisa diminuir. Pra mim deixou de ser uma questão estética, eu estava doente e não aceitava.

Eu cheguei no cúmulo da compulsão: resolvi fazer um bolo de chocolate, mas comi a MASSA antes de assar. #reflitão
Eu não sentia fome, mas continuava comendo e comendo. Não tinha fim.

Eu já tinha feito todas as dietas que podem imaginar. Já fiquei uma semana tomando sopa, já fiz dieta da lua, já fiz dieta das famosas e já tomei remédio.
Quando fiz o tratamento com remédios, perdi 11 kg em 2 meses. Podem imagina sair do 44 e ir pro 40 em 2 meses? Era a realização de um sonho.
Não sentia fome, logo não comia.

Mas tudo na vida tem um preço. Evidente que não poderia tomar remédio por toda a vida e então parei por conta. Vagarosamente os kilos voltaram. E sabem o motivo? Porque eu fiz dieta pelo motivo errado e da forma errada. Emagrecer é sim um motivador, mas você só muda sua vida quando aceita que a perda de peso é consequência de comer somente o que você precisa, na quantidade correta.

Em 2013 eu cheguei aos 84kg distribuídos nos meus grandes 1,60 de altura. Não estava bem, não estava certo. Meu marido vinha num processo de emagrecimento grande. Ele perdeu 45 kg e estava focado nisso. Eu só sabia reclamar que nada entrava em mim.
Um dia fui vestir uma bermuda jeans que sempre ficava apertada, mas naquele dia ela não fechou. Faltaram uns 2 dedos para os botões se encontrarem. Eu entrei choque e comecei a chorar.

Faltava menos de 1 ano pro meu casamento e eu pensei “FODEU”.
O que mais me fazia mal era olhar pro meu corpo e ver que todo aquele excesso não fazia parte de mim. Não deveria estar ali.
Minhas calças machucavam as pernas de tão apertadas que estavam e eu não conseguia colocar o tênis estando de calça jeans, pois apertava tanto minha barriga que faltava ar.

Foi então que corri para os braços da nutricionista Meire Morelli. A tia Meire é mãe de uma das minhas melhores amigas e me recebeu de braços abertos. Me puxou as orelhas, explicou tudo e estabelecia tempo e meta para voltar lá.
Me matriculei na academia (QUE EU ODEIO MAIS QUE TUDO NA VIDA) e toquei o barco.

Mas como eu disse ali em cima, academia é uma merda. Eu sempre me sentia mal e inventava desculpas para não ir. Então, a nutri aconselhou a hidroginástica. Sim, tem um monte de senhorinhas, e você fica bizarra de touca e maiô, mas é a coisa mais gostosa do mundo. Depois de um tempo você percebe que todo mundo ali tá buscando algo e que todo mundo é igual. Eu simplesmente não via o tempo passar estando dentro da água.

Depois de 8 meses eu reduzi 14kg. Mas melhor do que me sentir mais leve, foi me sentir bem. Eu respirava melhor, dormia melhor e algumas roupas tiveram que ser trocadas para números menores. ❤ #PossoOuvirUmAmém?
Só então eu percebi que reeducação alimentar é a palavra chave.

Se é complicado? Sim, é muito. É o maior desafio da minha vida. E ele vai estar comigo pra sempre. É uma luta diária. Voltar aos 84 é um tapa de tão ligeiro. Eu recuperei 3 kg morando em Campinas e faz 1 semana que voltei 100% para o caminho certo.

A Meire sempre dizia
“Jacou num dia? No outro volta pra dieta. O importante é sempre voltar”.
E eu voltei 😀

Agora vou ali, pois está na hora da ceia: um xícara de café com leite 🍵💛

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