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Ela é meu clube de futebol — Fred Zero Quatro

Às vezes, tentava contar à ela o tamanho do meu sentimento, ignorando séculos de poetas mortos por amor, e não cirrose, como os desiludidos tentam nos fazer acreditar.

Nessas vezes, do alto da minha inocência, verbalizava, de maneira muito tosca, tudo o que represava dentro do meu peito, na esperança de que inundando seus ouvidos com metáforas infantis, ela se apaixonasse também. E viveríamos felizes para sempre.

Mas eu não era inocente. Era cego. Afinal, não se tratava de descrever o que ardia. Se tratava de enxergar que ela sabia. Ela entendia. Mas não correspondia. Como dizer à ela o quanto você a quer bem?

Você é minha sexta feira de carnaval. Meu bolo de fubá com café na tarde, meu cheiro de chuva. Você, menina linda, é meu pé na areia durante um por do sol, é meu snooze na segunda de manhã. Minhas férias de julho, meu churrasco de aniversário, meu banho de rio. Você é um cheiro no pescoço, uma marca de biquíni, uma mão que escorre pelas costas nuas. Meu verão, minha caipirinha de tangerina, meu poema do Drummond. Você, menina linda, sabe disso, não sabe?

Ela sabia. Ela entendia. Ela só não queria. Afinal, não se pode convencer alguém a sentir o mesmo que se sente. Mesmo que se sinta o que só um pagode ruim consiga explicar.

Às vezes eu contava à ela o tamanho de meus sentimentos. Nesses dias ela ia embora.

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