Imagens do que pode (ou não) ser uma vida boa.


Sempre achei uma grande bobagem essa história que o pessoal inventa de que você deve começar a tratar o seu interior para que o exterior seja maravilhoso. Na verdade, acho que isso funciona muito bem para saúde e tal, comer bem pra ficar disposto, tomar uns comprimidos de colágeno e umas vitaminas é uma parada muito daora. Mas e quando o que tem que ser tratado não é físico e nem psicológico?

Bom, aí que eu entro com a minha história de vida babaca, aí que eu venho cagar umas regrinhas na cabeça da moçada e é aí, principalmente, que eu conto o que eu fiz com meu exterior e meu interior e com os rumos dessa minha vidinha — podemos dizer — chata de ser vivida.

Sou designer gráfico e, como todos devem saber, trabalho com imagem. Pensando no que eu escrevo logo mais, me posiciono aqui em um canto estratégico para não tomar pedrada dos outros designer no momento que eu falo que a minha visão — depois de ter passado por uma faculdade e na mão de (alguns muitos) clientes de gosto duvidoso — é que: o mundo é uma grande pintura a dedo com as digitais de todas as pessoas que vivem nele, e que o papel do designer é, na verdade, transformar as marcas de tinta em belas formas e contrastes. Ou seja, o designer tem que deixar tudo bonito pra quem passar por alí.

É claro que eu não acredito 100% nessa minha visão, justamente por ser um desses designers. Acredito em projeto, em conceito e tudo mais, porém eu sei que a realidade nem sempre é essa (e tiro aqui meu chapéu enquanto bato palmas e entrego um grande troféu a todos que dão valor nessa minha profissão maravilhosa).

Agora eu relaciono as minhas ideias, o que me incomoda nesses tempos? Já faz umas datas que vejo as pessoas ao meu redor reclamando do mundo e da vida como um todo. Ninguém mais tem paciência nenhuma para trabalhar oito horas por dia, estudar como um cão, trabalhar em casa depois do horário comercial por simples vontade de ter mais dinheiro, procurar um relacionamento e/ou uma cerveja honesta pra levar pra vida inteira (sim, comparo cerveja com amor) entre outras muitas coisas que eu vejo o pessoal reclamando na mesa de bar e nas redes sociais.

Eu sou um desses, reclamo mesmo, falo porcaria, me arrependo, fico com vergonha, deleto e por ultimo me sinto covarde logo depois por não me expor ali como todas meus amigos virtuais. Penso comigo “Pô Cássio, galera já acostumou a ter uma timeline com spoilers dos melhores dramas de novela da vida real, pq não deixar o seu ali também? Nem que seja pra irritar geral e levar uns unfollows?” daí hoje eu já me respondo o seguinte, “pra que você vai se expor dessa forma sendo que você não consegue se expor pra você mesmo?” e essa é a verdade da minha ideia de escrever esse texto: “pra que eu vou falar de desgraça pros meus amigos de internet sendo que eu posso falar de coisa boa, feliz e que talvez ajude alguém a sair dessa fossa que eu já decorei lindamente para ser o meu cantinho durante tanto tempo?”

Então aqui vai o meu relato real do que vi na vida. No caso, vou fazer um grande tópico em partes listado e em partes não, até pq (como podem ver pelas abreviações de internet) eu não sou redator/escritor/colunista/cultão/ e muito menos boneca gramatiquinha da estrela™. Sou apenas mais um inútil que tem um computador em casa e sabe conectar na vasta e maravilhosa rede web.

Pra começar, eu gosto de pensar que eu não estou idealizando algum tipo de auto ajuda, eu penso mais que as linhas que compõem esse gênero literário são as diretrizes mais básicas que cada pessoa pode seguir para tornar sua vida um pouco mais ~~adorável.

Penso aqui comigo que assim, todo mundo é diferente certo? Sim. Mas o ambiente que elas vivem (seja rua, casa, quarto, trabalho), é compartilhado. Existem regras dentro desses ambientes — por mais liberais que eles sejam — que devem ser respeitadas. Pra mim esse é o primeiro passo de mudança, a adequação.

Uma pessoa que sabe conviver sussa e se adequar às coisas que acontecem bem do seu lado — e olha que do seu lado eu não digo só a cadeirinha conjugada do ônibus, mas dimensões extravagantes como do outro lado da rua ou do outro lado da tela do computador — tem muito mais chance de não ser deprimida. Mas qual o motivo cósmico que leva a pessoa a perder alguns % da sua amigona tristeza? Já vou esfregando direto na cara de vocês que: se você sabe vivenciar o seu entorno, você sabe também inserir nele pequenas coisas que fazem bem pra você. É uma simples regra de respeito mútuo. Inclusive as pessoas vão te achar menos babaca se você não ficar de cara fechada pq “não gosta da cadeira de madeira que o pessoal tem no bar” ou acha que “aquele garçom é melhor de serviço pq o que te atendeu antes abriu a cerveja mas não serviu os copos”. As coisas não precisam sempre girar ao seu redor, e sério mesmo caras, tem bar que você compra um delicioso litrão de brahma no balcão e provavelmente tem que abrir a garrafa no dente e isso inclusive faz com que essas noites sejam as mais divertidas justamente pq você está se abrindo para viver aquele local.

Pulo imaginário para o tópico numero dois: Já passou da hora de querer que sua vida desenrole sozinha. Grande parte dessa galera que afirma que a vida deu três cuspes na cara deles provavelmente nunca pensou em bater de frente com a inimiga vestindo equipamento de mergulho, em outras palavras, o pessoal acha que a vida tem essa missão de atrapalhar a caminhada e a vitória dos justos, mas os justos não estão fazendo por onde ganhar nem uma medalhazinha de honra ao mérito. Galera tem que aprender a focar mais em objetivos, tentar coisas novas e levar tapa na cara diariamente, pq só botando o pé dentro do sapato que você sabe se ela vai ser ou não confortável pra caminhada, e acredite, a dona vida não vai perder o tempo dela amarrando seu cadarço cruzado pra atrasar sua jornada.

Voltando lá naquela parte em que eu disse ser designer e que eu trabalhava com imagens e tal, creio que transpor esse conhecimento em comunicação visual pro meu modo de agir foi a mudança que fez mais efeito e que por sua vez foi o mais satisfatório na jornada inconsciente pela felicidade (pesei a mão nessa).

Eu tenho vários amigos com bom gosto, isso é um fato, inclusive acho que tenho bom gosto assim como eles (obs.: eu defino aqui como bom gosto as coisas que eu acho doidas pra caralho — sentimento que minha galera compartilha comigo -, pq eu não acredito naquele discurso de que existe “bom gosto” e “mau gosto” que mostra toda sua força em lutas do tipo Rock vs. Axé) mas muitas vezes esse bom gosto não é aplicado por nós no dia a dia.

Não adianta criar cinquenta boards no pinterest com nome “Esse vai pra casa” ou “Quartinho dos meus sonhos” sendo que no fim das contas você chega do trabalho e deixa sua cueca jogada no sofá da sala. Um lugar deprimido deixa a gente deprimido também. Pra botar um exemplo prático, uma cultura besta que eu tento ter é de todos os dias arrumar minha cama (claro que isso acontece uma vez por semana por motivos de “deixa eu correr aqui que eu já to atrasado”). É sério isso, quando eu chego do trabalho maior cansado e vejo lá minha cama arrumada me esperando, minha felicidade e sentimento de trabalho feito sobe 300%. É como se eu tivesse ali ganhando um Oscar de “Melhor arrumador de cama estrangeiro” ou de “Filme do ano na temática agora sim cheguei na vida adulta”. Esse pequeno “truque” ainda se aplica a lavar a louça logo depois de comer pra cozinha ficar sempre arrumada; sumir com as coisas jogadas no chão do quarto; limpar a poeira de dez anos que você empurrou pra baixo do tapete/sofá/cama; mesa sempre organizada com as coisas que me trazem memórias boas ou que vão ser úteis quando eu for realmente usar a tal da mesa e mais um monte de outras coisas que se eu for listar eu tenho que pagar adicional pro editor de texto online.

Pensa só em uma coisa, quem deixa o seu espaço imagético uma baderna, fica uma baderna também no seu interior. Se você não desembolar os fios do computador, carregador de celular, som, tablet, ferro de passar roupa, roteador, fone de ouvido, abajur e frigobar que fazem praticamente uma cerca viva tecnológica dentro do seu quarto você também não vai conseguir desembolar os fios que prendem seus sentimentos maneiros e drenam boa parte da sua energia vital.

Manter uma vida visualmente organizada, pra mim, norteia meus pensamentos, minha disposição e até meu cabelo consegue ficar com as mechas menos rebeldes. Afinal, deixando tudo organizado eu consigo achar meu pente e pomada gastando muito menos energia para vasculhar o armário.

Uma economia e organização que eu não consigo manter é a de palavras pra relatar meus passos aqui no texto, tá longo gente, mas tá acabando.

Juro que é a ultima regrinha que o pombo do meu ego vai cagar na cabeça de vocês mas, vocês já pensaram em quanta coisa inútil (tanto animal quanto material) que fica ocupando o seu espaço? Eu resolvi limpar isso tudo. Parece feio falar mas assim, cortar relações com as pessoas pode ser a melhor coisa pra alavancar o ritmo da vida. É foda perder um ou dois amigos assim, por puro egoísmo, mas muita gente que fica rondando nossa árvore da felicidade arranca uma ou outra folhinha bem discreta o tempo todo, e quando vamos ver só sobrou galho e tora pra levar na cara. Tem uma galera (que é a mais da filha da puta) que te irrita de uma forma tão profunda que nem você tem acesso ao mal que isso te faz, e acha sempre que tudo é maravilhoso ao lado dos amigos de verdade. É foda conseguir ver quem faz isso, e é mais foda conseguir saber quem faz por ser babaca e quem faz sem querer (nesse segundo caso fica esperto que o problema pode ser paranóia sua viu).

Enfim, o que aconteceu comigo foi que uma hora eu percebi que eu estava correndo pra fora do quadrado de praticamente todo mundo, e foi quando eu resolvi filtrar e entender o que acontecia nos meus relacionamentos. Consegui separar o que era irritação mesmo e o que eu podia (que nem eu falei lá na primeira “dica para a felicidade plena”) interferir com as minhas ideias e criar um ponto equilibrado na relação ou até mesmo chegar no ponto de relevar o que me irritava antes — e olha, isso que eu chamo de dar um passo pra frente contra a negatividade, saber dar um “i don’t give a fuck” é a coisa mais extraordinária pra ficar bem com a gente mesmo.

Bom, o auto conhecimento é uma coisa mágica. Saber ver a vida e todos os seus cantos é mais mágico ainda. Ter a oportunidade de equilibrar o respeito com suas vontades para editar a sua própria pintura a dedo e deixar tudo no seu entorno organizado e em sintonia com a sua organização interior é uma felicidade muito maior que receber e-mail despretensioso de amorzinho.

Depois de falar aqui sobre minha experiência de vida, por mais ridícula que ela seja, eu vou dormir. Pois pra digitar isso aqui eu já quebrei uma das minhas promessas de organização que era dormir cedo (que sinceramente, é a mais difícil de cumprir :P).

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Lembrei desse texto no meu Samyroad, trouxe pra ca sem reler nem revisar. Pois o que eu pensei lá nos tempos de 2013 (07.10.13–01:45) pode não ser o que eu quero da vida a gora. Mas vale deixar como registro de mais um dia que estava bêbado e não me lembro de nada.

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