Três perguntas para Dom Paulo De Conto

Ele chegou há oito anos ao Vale do Caí para guiar a nova Diocese. Na cerimônia de posse, cunhou uma expressão que não foi esquecida pelos católicos da região: “Diocese da Alegria”. Nascido no município de Encantado, dom Paulo Antônio De Conto é oriundo de uma família de doze irmãos. Aos 11 anos, ingressou no seminário. Confira a entrevista:

1 — Com o papado de Francisco, quais mudanças podem ser observadas no dia a dia da Igreja?
Dom Paulo — 
O Papa lembra alguns aspectos marcantes na vivência do Evangelho, que sempre foram apontados pela Igreja. Por exemplo: o perdão, a paz, a misericórdia, o acolhimento, a vida fraterna e a caridade. São aspectos importantes que o Papa Francisco vive e convida todos a viverem. Faz-se necessário viver uma Igreja encarnada. É na fraternidade, na humildade e na simplicidade que todos devemos ter estas marcas propostas por Jesus e tão bem lembradas agora pelo Papa Francisco.

2 — Seguidamente, em seus pronunciamentos e entrevistas, o papa Francisco fala sobre a necessidade de uma Igreja mais pobre e mais humana. De que forma isso está sendo trabalho na Diocese de Montenegro?
Dom Paulo — 
Como Diocese, tenho insistido para que cada paróquia e cada comunidade veja a importância da caridade para que a imagem de Cristo esteja presente em todos. Principalmente a caridade colocada em prática junto aos pobres, aos doentes, aos afastados, oprimidos, rejeitados, drogados, alcoólatras, desesperados, desencontrados e depressivos. A Igreja não pode ficar só na fé, na catequese, no culto. Deve abraçar com todo o coração o serviço da caridade. O caminho da Igreja não é somente ir para o altar de uma celebração, mas também — e principalmente — ir ao altar do irmão. Serve-se ao altar do Senhor, servindo ao altar do irmão.

“A Igreja não pode ficar só na fé, na catequese, no culto. Deve abraçar com todo o coração o serviço da caridade”

3 — A diminuição de fiéis na última década o preocupa? Isso ocorre mesmo na Região do Vale do Caí, conhecida pela grande participação do povo na Igreja Católica. O que pode ser feito para reverter isso?
Dom Paulo — 
O importante é que cada fiel, quando se trata de ser fiel a Jesus Cristo, siga o Evangelho. Então não preocupa tanto se alguém deixa uma prática religiosa. Preocupa quando alguém deixa Deus de lado. E quando deixa o amor e a caridade de lado também. Se buscam continuamente Deus e ao próximo no amor e na caridade, então não se perdem, apenas não seguem naquela prática que muitos estão acostumados, mas vivem Jesus Cristo na caridade. Em nossa região podemos dizer que algumas pessoas não mais frequentam a Igreja. Daí eu pergunto: e antes, frequentavam? Ao mesmo tempo, se a Igreja, como instituição, também não responde mais a tantos anseios, devemos rever a nossa caminhada no sentido de sermos testemunhas de Jesus, para que a Igreja tenha mais seguidores.