3 reportagens que demonstram que as coisas não vão bem

Charlie Hebdo, os 62 mais ricos e o lucro dos bancos brasileiros

Não é possível ficar indiferente a estas três matérias veiculadas recentemente na imprensa brasileira e internacional. Elas revelam como o mundo de hoje está organizado e mostram que as coisas não andam bem.

CHARLIE HEBDO E SEUS EXAGEROS

A primeira charge retrata a morte de Aylan e na segunda, diz que seu futuro seria afagar a bunda das mulheres alemãs

O jornal humorístico francês está assíduo na pauta international em função de sua pesada crítica à religião, principalmente ao Islã. Para quem já esqueceu, em função disso, sua sede foi alvo de um ataque terrorista deixando vários mortos.

A mais recente vítima foi novamente o indefensável Aylan, o náufrago bebê sírio que morreu no Mediterrâneo. O periódico faz uma projeção caso o pequeno sobrevivesse: seria mais um a passar a mão na bunda das mulheres.

Há uma grave confusão entre liberdade de imprensa, humor e preconceito.

Foi em cima deste preconceito racial que a Europa baseou seu discurso de dominação: a civilização versus a barbárie.

Lembremos que Europa exerce domínio na África, no Leste Europeu e no Oriente Médio. Tudo em nome da exploração e da acumulação. Tirou o máximo que pode e deixou os locais com o mínimo possível.

Agora, como golpe fatal para definir a direção do oleoduto, surge mais esta guerra no Oriente Médio, junto ao problema do extremismo religioso e da imigração do norte da África. O que resta a eles, senão ir em direção aos países que durante os últimos séculos somente os dominou e explorou?

A Europa faz contas. Se receber a todos quebra.

Logo, é melhor deixá-los ao relento a dar proteção.

#JeNeSuisPasCharlie


AS 62 PESSOAS MAIS RICAS DO MUNDO

Bill Gates (Microsoft), Carlos Salim (Claro) e Warrem Buffet (Berkshire Hathaway), formam o pódio dos mais ricos do mundo

Para aqueles que pensam que o capitalismo está em crise, segue uma notícia: ele vai muito bem e manda dizer "obrigado!".

O capital possui a magnífica capacidade de se reiventar. Mas sua essência está na acumulação. Assim, poucos ficam com muito e muitos com pouco.

A revista Forbes é a queridinha dos bilionários com a sua lista anual. E tem brasileiros listados. Cafonérrimo, diga-se de passagem. Vergonha alheia e inveja da conta.

Na lista referente a 2015, 62 pessoas detém 50% da riqueza mundial!

Parabéns a todos pela capacidade de criar e produzir riqueza. Vida longa!

O problema não são eles, mas o sistema que os permite acumular tanto de forma legal. E vivemos nesta condição desde o início da modernidade.

Ficamos anestesiados, achamos normal e desejamos.

As vozes ainda não possuem força para dar um basta na situação e propor mudanças. Manter a produção, com criatividade, inovação e empreendedorismo, mas com capacidade de melhor distribuição da riqueza. Todos precisam dos computadores do Gates, das conexões da Claro e dos multinegócios do Buffet. Estamos presos a eles de alguma forma.

As academias pasteurizaram sonhos: todos querem a mesma coisa — estudar, ter família, adquirir bens e curtir a vida — e algo fora deste padrão soa estranho. Ninguém luta pelo outro nem contra o que está estabelecido. A clamada inovação e o culto ao empreededorismo é somente para manter o sistema acumulativo vigente.

Precisa-se de mais Muhammad Yunus no mundo, economista que criou o microcrédito e garantiu uma válvula de escape usando o sistema financeiro para dar dignidade a vida de muitas pessoas.

Basta olhar para você mesmo e sua circunstância para perceber que alguma coisa não vai bem.

De forma objetiva, olhe seu saldo bancário.


O LUCRO DOS BANCOS BRASILEIROS

Olucro de 2015 dos bancos brasileiros está na mesma linha acumulativa.

O ano passado foi um daqueles para ser esquecido. Ou os fatos atuais dão um novo rumo ao Brasil — e parece estar no caminho — , ou a classe política acabará com o país em função de seu atraso mental.

Como em qualquer lugar no mundo, haveria uma retração da economia brasileira de qualquer forma.

Em função disso e outras coisas mais, o Congresso autorizou um montante de R$ 120 bilhões para o governo dar conta de suas despesas em 2016. Este número poderia ser menor se não fosse a ingerência petista somada a incapacidade da presidente de comandar o país.

O lucro do Itaú, Bradesco e Santander, os principais bancos privados do país, somam R$ 46,74 bilhões. Tudo auferido em um ano de muito aperto financeiro. É um pouco mais de 1/3 do que o governo necessita para as despesas do ano.

Quanto pior a condição econômica do país, melhor os lucros dos bancos, pois ganham em cima do fator endividamento dos brasileiros, que já estava alto por causa da política do Lula de estimular o consumo.

É um lucro discrepante!


Se alguém não conseguiu perceber estas questões, sugere uma falta de atenção para o que acontece ao redor.

Em dias complexos — e nos bons também — , convém passarmos longe da filosofia do pagodeiro:

Deixa a vida me levar, vida leva eu…