A saída para a crise brasileira

Galeão ou Cumbica


Ouvi e li sobre várias pessoas comentando sua possível mudança do Brasil caso o PT estendesse seu reinado. Talvez tenha ficado somente como força de expressão para posicionar-se como oposição e… passou! Só vi 1 (uma) cumprindo com sua palavra. Logo tomou o aeroporto como saída do problema. Só volta quando o PT deixar o trono, avisou.

Fazendo uma conta simples, percebi meu vanguardismo: tomei Cumbica aos 22 dias do reinado do Dilma I. E olha que ninguém ainda comentava do assunto! Afinal, o bolso não havia sido afetado.

Foi na ditadura quando surgiu o lema “Brasil: ame-o ou deixe-o”, mais um “bullying” dos militares. Coisa de mal gosto a volta dele! Ainda bem que os tempos são outros. Mas esta “ameaça” retorna agora numa nova embalagem. E quem hoje levanta esta bandeira não está no seu perfeito juízo.

Ver o Brasil do outro lado do Atlântico foi um grande aprendizado. O maior deles foi perceber a nossa capacidade e, ao mesmo tempo, o nosso isolamento em relação ao mundo. Já falei sobre isso, depois leia os links que deixei lá no final do texto.

Entendo o contexto motivador para vários brasileiros pensarem assim. Mas não é fácil viver fora do seu país e poucos compreendem esta realidade. A primeira coisa que um expatriado percebe é o paradoxo da “falta de um lugar”. Você passa a pertencer a lugar nenhum. Para os conterrâneos, tornou-se um aventureiro em busca de novas experiências; para o país que o recebe, sempre será um estrangeiro. Tudo é mais difícil na pátria hospedeira: as leis não lhe favorecem, pois sempre existe a exceção para o “expatriado”. A comprovação de documentos é uma batalha cansativa, para ficar em um só exemplo.

Caso fique fora por muitos anos, a volta tende a ser complexa, pois todos continuaram a velha rotina de sempre e você tornou-se outro, com horizontes ampliados, cheio de coisas novas! Não dá para compartilhar certas experiências com todas as pessoas; sempre será "o babacão que conta sobre as várias viagens para aparecer". O olhar traz confesso a expressão: "cara, que saco este seu assunto!"

Terence Chang

Sobram dois comportamentos em relação ao Brasil para quem vive fora: (1) ou fica mais antenado nas coisas que acontecem lá, ou (2) se afasta de vez. A sua indignação aumentará morando no exterior, pois ficará claro a trava que a arcaica e conservadora mentalidade política submete ao Brasil, resumida na máxima da política beneficiar somente os políticos. O problema é não termos instrumentos para revertê-la. Vai além do voto.

Mas é muito triste ver o Brasil se esfacelar. É potencial desperdiçado. Era claríssimo o naufrágio com o privilégio de vê-lo de outra perspectiva. A maioria aderiu ao comportamento enraizado do oportunismo brasileiro: nunca somos beneficiados com nada que vem do setor público; se estamos agora, aguarre na oportunidade. Deu no que deu.

Tome cuidado se preferir tomar o aeroporto como rota de fuga: talvez você nunca mais queira voltar; talvez você nunca mais terá um lugar para chamar de seu. Neste hora, quem sabe, será de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo.


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