A universidade e sua incapacidade de se comunicar eficientemente

Quando os professores optarão pela inovação e não pelo emburrecimento?

O trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC, é o terror para a maioria dos alunos. Normas infindáveis de formatação da ABNT (Associação Brasileita de Normas Técnicas) são muitas vezes levadas pelos professores da banca mais em conta que o próprio conteúdo da disciplina. Uma metodologia que deveria servir para uniformizar somente, tem-se tornado o fim do processo acadêmico e impedido processos inovativos. De fato, os professores amam o positivismo e as normas. Sem elas, eles não se definem.

Os métodos normativos da ABNT são ótimos. Impedem que pessoas sejam qualificadas pelo visual em detrimento de outros que, com poucos recursos, não podem fazer o mesmo. O que vale é o conteúdo. Mas, o mundo avança, felizmente, e a academia cada vez fica para trás. Uma contradição, diga-se de passagem. O problema é quando não há flexibilidade em alguns momentos.

Ao formatar um novo projeto de final curso, veio junto o processo normativo. Exige-se um (sic) poster com 1.20 m de altura 0.80 m de largura. Algo muito além do convencional A4, exigindo certo grau de experiência para utilizar bem o espaço numa relação conteúdo versus área disponível.

Em plena era digital, com recursos amplamente disponíveis como Powerpoint e projetor, a universidade exigiu tudo físico. Mais: obrigatório levar fitas adesivas e/ou outros métodos de fixação, sujeito a penalidades, caso esqueça. No "poster" deve estar o conteúdo escrito da monografia. É o processo reverso ao pré-projeto: a mesma fôrma, mas com o conteúdo final.

O tempo de apresentação são parcos 15 minutos, em contradição aos meses de pesquisa e escrita. Sendo 10 para o aluno e os professores têm 5 minutos para perguntas e respostas. Bem, já viu algum professor ser objetivo numa pergunta?

A universidade, que deveria ser um centro de excelência, cada vez mais tem dado provas de sua incapacidade de seguir tempos modernos — principalmente nas humanidades — , pautados na comunicação rápida e eficiente, talvez, hipoteticamente, pela total falta de estrutura física.

Fiquemos com esta desculpa. Mas a observação do Professor Dr. Leandro Karnal, da Unicamp, é certeira:

Ser positivista é um xingamento que atinge a todas as pessoas. E não obstante, nas bancas os temas mais tratados são: erros de redação, falhas da ABNT e erros de datas. As bancas ainda continuam positivistas.

É o academicismo cego, surdo e morto em si mesmo.

O modelo ao lado contém 1,20 m x 0,80 m. Não é fácil elaborar algo neste formato sem conhecimentos básicos de desenho gráfico. Falta de bom senso do curso ao solicitar um padrão como este para apresentação.

Um bom exemplo do momento quando ocorre um equilíbrio descente do uso das normas da ABNT, seguidas praticamente na sua totalidade e essência, mas, ao mesmo tempo, a elaboração de um projeto com apresentação gráfica descente, respeitando o trabalho do aluno, sem perder de vista o foco no conteúdo.

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