Por que eu não vou assinar o abaixo-assinado a favor do Uber
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Uber

Como uma empresa cresce em meio a tanta percepção negativa?


Nunca peguei um táxi solicitado pelo Uber. Aliás, nem tenho o aplicativo instalado no meu smartphone. E se depender do que ando lendo, nunca o terei.

Uber é uma empresa lançada nos Estados Unidos que coloca em contato a pessoa que necessita do serviço de taxi e o taxista por meio de um aplicativo. O taxista é um prestador de serviço para o Uber. O negócio funciona dentro de um padrão estilo franquia, visando uniformizar toda rede de atendimento, com carros novos no segmento premium/luxo.

Não entrarei no mérito do negócio, mesmo porque entendo bem pouco dele. Chamou-me a atenção o número de matérias existentes detonando-o. Paradoxalmente, não por uma má prestação de serviço, mas em função da mentalidade do empreendimento. Questões pesadas, dignas de acender o sinal amarelo e tomar muito cuidado: sexista, ganaciosa, desvantajosa para os afiliados no longo prazo, ataques sexuais a mulheres, perseguição a jornalistas que falam mal do negócio, dentre vários outros.

Divulgação / uber.com

Tenho questionado o papel da mentalidade do empreededorismo. Leia este texto do André Silva que fala sobre “Empreendedorismo Líquido”. Tem algo de podre no reino da Dinamarca, como diz o ditado. O fato dos taxistas serem prestadores de serviço demonstra como as relações de trabalho estão cada vez mais frágeis. No Uber isto parece ser evidente. Este texto do Ibrahim Cesar mostra como o Uber vende uma ilusão de ganho para os taxistas, rendimentos difíceis de se realizarem no longo prazo. É o capitalismo selvagem na veia, onde alguém está ganhando muito e não são as pessoas responsáveis por operacionalizar o negócio.

A chegada do Uber ao Brasil foi avassaladora, cheia de protestos. Taxistas se coloracam contra o negócio exigindo um posicionamento do poder público. Mexeu com a essência do negócio no Brasil, como aprensentado por Leandro Demori. Expôs o cartel existente, as irregularidades conhecidas por todos, sendo que nada é feito para acabar com elas. Alguns saíram na defesa do efeito tranformador da tecnologia, mudando o modus operandi do negócio. Outros falam da necessidade de salvaguardar o mercado quando um entrante é capaz de desestruturá-lo rapidamente. As duas posições refletem realidades do mesmo fato, todavia, há por trás do Uber algo mais nefasto a ser revelado.

As atitudes do CEO Travis Kalanick são questionáveis pela forma grosseira, violenta e anti ética na defesa de seu negócio. Havia lido vários textos até encontrar este da Bia Granja, com vários outros, incluindo a imprensa internacional. Leia os vários links abordando como Travis ataca as pessoas quando comentam de uma prestação de serviço frustrada ou não se rendem a lógica do discurso inovador de seu negócio.

Divulgaçãoo / uber.com

Parece que a empresa está disposta a reverter tanta imagem negativa. Basta ver em seu site campanhas promocionais em favor de alimentação de crianças, gênero, ativismo em favor da comunidade GLBT, pessoas com necessidades especiais de locomoção, carros híbridos, associação com eventos, personalidades badalados e pessoas descoladas, como na imagem acima. Mas, nos dias de hoje, não podemos ser coniventes com empresas que surgem com uma mentalidade tão nefasta, colaborando com o aumento das desigualdades.

É inevitável o uso da tecnologia. De fato, veio para ficar e deve ser disseminada. Mas ela precisa estar em mãos de quem não está disposto a causar tantos danos coletivos.

Se as matérias negativas estão presentes no grande volume que se apresentam, é porque há algo de errado na cultura empresarial do Uber. Estou questionado o Uber. Quem sabe você não faz o mesmo? Não precisamos de empresas com esta.


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