Vamos sair da caixinha?

O sistema que temos hoje nos deixou o céu como limite, você destaca bem, Johnny Cantarelli. E deve continuar assim. É um ambiente propício à criação, a inovação e ao empreendedorismo. Não seria possível escrever este texto em meu Iphone a 12.200 km de distância do Brasil.

Imaginemos: numa reunião da ONU delibera-se a permissão para escravizar seres humanos novamente. De qualquer lugar, cor, gênero e idade. Soa absurdo, não é!

Não se admite na atualidade seres humanos nesta condição indigna. Sabemos da existência análoga à escravidão e o combate não está fácil.

São Paulo criou uma lei nesta orientação, na tentativa de impedir, por exemplo, que a cadeia de produção da Zara, cujo dono está nesta lista, use deste expediente!

Precisamos de vozes para a correção das distorções. Não para tolher mentes criativas e pessoas proativas. Não podemos usar um fato para encobrir outro: os benefícios dos processos de inovação e empreendedorismo não podem omitir nem justificar qualquer tipo de injustiça, e isso inclui a acumulação absurda de riquezas e recursos.

Acúmulo excessivo implica em alguém que dignamente se esforça está impedido de melhorar sua condição de vida.

Precisamos de saídas maduras, não estas falsas "soluções" populistas impressas diariamente nos jornais brasileiros.

Da mesma forma que muitos lutaram pelo fim da escravidão, precisamos de mentes brilhantes para encontrar uma válvula de escape para este problema da acumulação.

Volto, para exemplificar, no caso do modelo econômico do microcrédito. Precisamos usar os benefícios alcançados nesta direção. Um economista que vive de sua criação, tendo como propósito a dignidade do ser humano.

O microcrédito permite que você, eu — que fui obrigado a fechar minha empresa por causa do caos econômico brasileiro — , e o "Zé Zelador" tomemos empréstimos bancários, invistamos em sonhos. O "Zé" contou que já vai para o segundo empréstimo. Trabalham ele e o filho vendendo coco na praia. Com o primeiro, já deu pra comprar outro carrinho e ainda uma S10 usada. Depois descobri que ele já ganha mais que muitos empregados por aí. Me contou que já pediu conta do condomínio. Está numa felicidade…

Ver esta lista de afortunados, os lucros dos bancos, a corrupção sistêmica do Brasil, instituições escarnecendo da desgraça alheia e muitos vendo isto como normal, é um baita sinal amarelo. Ou as pessoas estão daltônicas?