Jornada 2017–2019
Desde que sai da trilha carreirista e grandes corporações me joguei no mundo de empresas menores. Óbvio, que questões relacionadas a qualidade de vida me incitavam, como o tal sonho de morar na praia (que raramente vou) rondavam meus planos, e da minha esposa. E ai que começou…

Com a chegada do final do ano, gosto (e acho que a maioria das pessoas) de fazer um balanço e resolvi fazer um balanço da minha vida PROFISSIONAL (a pessoal, vai bem, obrigado) nestes últimos dois anos. As pessoas gostam de mostrar que sabem tudo ou que a vida é perfeita na internet, mas poucas compartilham os reais aprendizados e dores que levaram elas para o próximo nível. Como costumo brincar e pode parecer meio grosso, poucos estão realmente dispostos a por a mão na merda.

Os principais aprendizados foram ao redor de alguns temas, não irei dar números, estou cansado de "as 5 coisas que você deveria ter feito", "os 7 segredos do sucesso", coisas com números exatos e receitas de bolo me dão uma certa coceira.
- Resiliência
- Liderança
- Governo
- Millenials /Geração Z
Aprendi que preciso melhorar minha resiliência mental, e resiliência mental não quer dizer aceitar tudo. Não quer dizer ser troxa. Mas ter mais paciência para que algumas coisas maturem mesmo que pareçam que não estão indo bem ou como eu esperava, e que ainda existe um propósito nobre por trás (se existe). Me deparei com ambientes tóxicos, com chefes despreparados, com momentos de vendas ruins, com notícias escandalosas, com clientes surtados, com traição em pessoas que se diziam colegas, etc, mas no fim TUDO ISSO PASSA. Só aguardar com fé e obras. Mas se não estiver de acordo com propósito e seus valores, não tem resiliência que suporte, zarpa fora. "Se você vê uma fraude e não fala fraude, você é uma fraude." (não lembro o autor)
Liderança, esse tema acredito que foi onde mais me desenvolvi. Não quero ter razão neste artigo, só quero compartilhar meus aprendizados. Esses anos confirmaram pra mim que liderar é realmente servir, é ouvir, é suportar como uma proteção que ajuda os colegas a não sair do caminho. Que é uma escolha e não um cargo.

E que muitos ainda pensam que é um cargo, e usam disso para pisar nas pessoas ou para se frustrarem na busca de esperar o cargo de líder. Isso não é liderança, isso é chefia, ou qualquer outra merda relacionada a prepotência ou alimentação de valores escrotos (ego, luxúria, etc). E se você escolhe valores escrotos, estará rodeado por zumbis. Liderança este ano foi se jogar, não ter medo de colocar ações em prática, algumas atitudes que eu mesmo tinha medo e deixava guardado para os livros. Esses 2 anos mergulhei em práticas para fazer meus times chegarem a outro patamar, e isso foi muito legal. Praticamos management 3.0, Lean Kanban, psicologia (bastante…), filosofia, design thinking e diversos cafés para "fala que eu te escuto". Mas também observei e defini uma tríade que mata e afunda qualquer chefinho que venha se achar líder. Uma tríade composta de 3 variáveis, EGO | SEGURANÇA | DESPREPARO.
Quando o cara é despreparado, ele se torna inseguro, e com isso sai dando ordem, porrada e micro gerenciando; tentando encobrir estes gaps com seu ego que não cabe mais no planeta, o perfeito chefinho do ambiente frágil. Quando o cara se prepara, mas é inseguro, tem dificuldades em tomar decisões e o papel de um verdadeiro líder é composto de decisões o tempo todo, principalmente decisões que mesmo havendo boas intenções, irão afetar as pessoas, e seu ego entra em jogo pra encobrir a insegurança, o famoso cagão com nariz empinado, perfeito para ambientes frágeis e/ou resilientes. Quando o cara se prepara, é seguro, isto é sabe que tem ferramentas para tomar decisões, sabe que precisa ouvir e ser humilde, obviamente o ego fica de lado e esse cara tem maior chance de conquistar o povo e formar um ambiente mais robusto ou antifrágil. Meu Deus, como estamos carentes de verdadeiros líderes! Não sei em outros segmentos, mas em SC e em Tecnologia, está feia a coisa. Outro dia, tentando trazer a responsabilidade pra mim, pensei, será que eu não nasci pra ter chefe mesmo (tipo CLT me enchendo o saco)? Lembrei que minha mãe contava que desde a idade de alfabetização eu não permitia ninguém olhar meu caderno, queria autonomia e confiança desde aquela época para fazer o que precisa ser feito com o mínimo de supervisão. KKK
Outra lição, não se meta em nada que tenha relações fortes com algo do governo, a não ser que valores como honestidade e transparência pra você não importe nada, ai vá fundo, ambiente perfeito. Não quero generalizar que tudo é sujo, mas to procurando o contrário ainda…sorry

E a última e não menos importante, a geração Millenials e Z que estão entrando no mercado. Uma galera tão, mas tão esperta. Principalmente os programadores, parece que sai código Python, JS , GoLang, R, etc pelos poros da pele. Codificam como nós falamos. O mundo é deles, queira ou não. Porém o que me preocupa é a condição psicológica dessa turma. Vejo uma turma bem bugada, efeito da ansiedade e do bombardeio de informação nas mãos o tempo todo. A impaciência para com tudo, principalmente com a própria carreira. O caso que ocorreu com meu estagiário este ano pra mim foi inédito em 18 anos de carreira, em 6 meses ia ser efetivado e assim que efetivado, foi demitido. Seu salário foi dobrado, era primeiro emprego, só tinha acabado de se formar na semana anterior e ouvi dele "só isso?(o dobro) quero mais, me formei, preciso ser valorizado". Vamos com calma né guri.
O tal do celular, uma benção de facilidades, mas o mal da humanidade em gerar ansiedade, depressão e distanciamento (real) entre as pessoas. Outro ponto que aprendi, não adianta descer o chicote e falar que algo precisa ser feito pra essa turma (atos de chefinho), esse pessoal quer PROPÓSITO. Vou escrever novamente, P.R.O.P.Ó.S.I.T.O. Interessante que essa semana ouvi uma palestra do Bruce Kirkby na qual ele fala a importância do propósito para que nossa garra realmente saia de dentro da gente. E com propósito, exercermos práticas e processos. E isso que nos leva ao destino e torna a jornada mais sustentável.

Enfim, ficam os principais aprendizados destes 2 anos. Espero poder contribuir em algo na sua vida. E agora, nova jornada que se inicia. Vamos construir algo com muito propósito, valores e ajudar as organizações a encontrar o caminho…
Um fraterno abraço!