
Não é a primeira vez que me sinto assim, e com certeza não será a última.
Está tudo nebuloso, confuso e sem sentido. Comandar essa aeronave em uma tempestade sem saber quando será o seu fim é desesperador.
A rota tem sido turbulenta, eu sei, mas não sabia que seria tanto. Talvez o plano de voo tenha sido mal organizado, mal elaborado, não sei bem. A sensação de perda de sustenção tem se tornado cada vez maior.
Me lembro dos céus azuis por onde já voei. Eram belos e infinitos, e eu podia observar de longe lugares cada vez mais incríveis para aterrisar em segurança.
Por agora, nada disso existe mais.
Solitário nesta rota, não há sinal de rádio das torres de comando que possam me levar para algum local seguro. Apenas observo os outros aviões pelo radar seguirem firmes ao seu destino final sem titubear, enfrentando qualquer empecilho que vier com maestria.
Neste contexto, talvez seja hora de declarar emergência, ou talvez deixar que combustível acabe enquanto tento me manter no ar o máximo de tempo possível.
Talvez a queda seja inevitável.
Talvez sobreviver não seja uma opção.
Mayday…
