uma versão mais otimista a respeito do tempo
Sábado desses Ananda chegou pra mim nos feices da vida e perguntou o que eu tava fazendo.
- Esperando alguém perguntar! -quase gritei de volta, e acabou que fomos no Rio Vermelho dar um saque no som do DDH, e apesar de a ideia inicial ter sido essa, não foi o que fizemos. A gente só ficou sentada fumando, tomando umas brejas de leve — com Ananda falando o quanto o Rio Vermelho estava estranho, como se alguma vez ele tivesse sido normal : e é exatamente por isso que gosto dele — e a pessoa com quem ela tá saindo agora, P.
Eu simplesmente amo Ananda e ela é uma das pessoas mais incríveis desse planeta, em parte porque ela usa um dialeto próprio, porque ela é mais velha e sempre me inclui nos rolês e também porque ela faz o que quer na hora que quer — tipo usar glitter em situações não glitterizáveis e isso é maravilhoso. Não sei como foi que a conversa surgiu, mas estávamos falando disso do tempo e da mania das pessoas de passarem em lugares e comentarem sobre como as coisas eram.
— Tá vendo, ó, isso tudo aqui era mato quando cheguei — ou algo assim.
Talvez tivesse algo a ver com o RV, mas eu ou P. jogou na conversa que íamos dizer, provavelmente pros nossos netos, que tudo isso era concreto e asfalto quando a gente chegou!, e como eles, nessa vida boa, não sabia como era lidar com poluição, já que hoje tudo é sustentável! e que o difícil mesmo era ter que lidar com prédios no lugar de árvores, como era quando a gente era novo.
— Que futuro otimista — Ananda reparou.
Acho que concordo com ela, mas não deixa de ser divertido.