Qual a melhor forma de iniciar metodologias ágeis em um time?

Catherine Barchet

É comum ouvirmos falar das frustrações de empresas que buscam aplicar metodologias ágeis em seus times de desenvolvimento. Mas qual o motivo que as levam a falhar?

Essa é uma pergunta muito particular e específica. Difícil de responder sem conhecer a realidade em que o time está inserido, o momento pelo qual a empresa está passando e principalmente o perfil das pessoas que compõem o time.

Eu não tenho essa resposta para dar a vocês, mas eu tenho um case real de aplicação de processo ágil em um time de engenharia incrível para compartilhar!

Há alguns meses fui convidada a encarar o desafio de auxiliar a realizar mais uma tentativa de inserção do framework Scrum em um time de desenvolvimento constituído por diversos perfis: júnior, sênior, com e sem experiência em Scrum, alguns abertos a experienciar novos formatos e outros mais resistentes.

- Aproveito para fazer um parênteses e confessar que a diversidade sempre foi algo que me fascinou, e acredito ser um dos pontos fortes do nosso time hoje, os perfis se completam.

Algumas tentativas de abordagem Scrum, já tinham sido realizadas no time, porém, sem muito sucesso. Sendo assim, como primeiro passo buscamos entender de fato o que tinha falhado, e nesse processo ficava explícito que o os três principais motivos eram: a falta de resiliência, o fato do processo puro (by the book) não atender a realidade do time e a falta de uma pessoa dedicada a garantir que o processo fosse executado e que os projetos seguissem o formato desenhado.

A partir desse levantamento percebemos que um dos pontos-chave era engajar o time e estruturar um processo em que todos acreditassem (as pessoas são motivadas por aquilo que acreditam). Com base nesse pensamento, que estava latente e óbvio para nós, foi possível tomar algumas decisões e a partir de determinadas ações, decidirmos que era o momento de realizarmos mais uma tentativa, porém, com a experiência do que sabíamos que não dava certo (e aqui, vale aquela máxima: saber o que não funciona é tão importante quanto saber o que funciona). Esse amadurecimento e reflexão sobre as experiências anteriores, foram cruciais para garantir o sucesso da implementação -opa, temos um spoiler aqui.

Nosso primeiro passo, foi sim, decidir que queríamos dar mais uma chance e investir em mais uma tentativa utilizando o Scrum, porém não puramente, mas sim adaptado (e essa foi uma das nossas principais sacadas).

Mas por que adaptado? Qual o sentido?

Nós sabíamos que um dos motivos de termos falhado em momentos anteriores, era justamente o fato do processo não traduzir a realidade dos projetos e do time, mas sabíamos que queríamos a agilidade que o Scrum trazia de benefício, então é isso, ADAPTAMOS!

Unimos tudo que o Scrum poderia trazer de benéfico e associamos alguns pontos que acreditávamos que eram nossas necessidades, tudo com base em relatos e do dia a dia de membros do time.

Mas não adaptamos simplesmente com relação às percepções de uma ou duas pessoas, e essa foi a nossa segunda (e principal, no meu ponto de vista) sacada. Nós iniciamos o processo de modelagem e adaptação do framework Scrum junto com alguns membros do time (com experiência e vivência em metodologia ágeis). E sim, nós ENGAJAMOS.

Com auxílio de parte do time e nos baseando na forma original do Scrum, discutimos qual seria a melhor abordagem, os melhores momentos, as melhores práticas e formas de conduzir nossa próxima tentativa, e criamos nossa primeira versão do nosso próprio framework de desenvolvimento de software. Mas o engajamento não parou por aí, e com uma proposta formatada, reunimos todo o time, apresentamos a primeira versão, e abrimos para que todos construíssem junto conosco. Todos puderam expor suas ideias e fazer parte da construção daquilo que iriam utilizar logo ali na frente.

Estávamos todos super animados e saímos desse momento com o time se perguntando quando os projetos do qual estavam participando estariam formatados e sendo executados dentro do processo que tinha sido criado. E a partir desse momento eu senti que todos se dedicariam em tirar a metodologia do papel e trazer para seu dia a dia.

O resultado foi inspirador!

Atualmente revisamos periodicamente nosso processo, reformulamos e adaptamos para a realidade atual do time, dos projetos e da empresa. E fazemos isso em conjunto, onde cada membro do time é convidado a trazer suas percepções e sugerir modificações.

Nosso time é cheio de pessoas totalmente dispostas a contribuir, crescer e se desenvolver. Somos riquíssimos e soubemos aproveitar o que temos de melhor. E eu só tenho a agradecer a cada um!

*No dia 9 de novembro irei participar do evento Tchê Linux, em Santa Maria — RS, com a palestra “Como introduzir e adaptar cultura ágil na sua equipe”, onde vou abordar essa temática de forma completa. Espero você lá!

Caso você tenha ficado curioso a respeito do nosso framework de gestão de projetos, fique tranquilo, prometo apresentá-lo de forma detalhada em um próximo artigo por aqui!

Me conte suas experiências com utilização e inserção de metodologias ágeis no time em que trabalha!

Catherine Barchet

Written by

Project Manager | Scrum Master at Delivery Much Brasil

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