Maneiríssimas duplas brasileiras da atualidade #5

Foto: Ludegards Pedro / Divulgação

Maraú

Maraú é uma dupla paraense composta por dois Mateus: Paes e Estrela. Segundo a banda, seus elementos sonoros provém de mazelas do amor e conversas de praia. Algo como quebrar a cara com um amor de verão.

Em 2015 eles lançaram o EP Azul, com cinco faixas gravadas no home studio de Mateus Estrela, num estilo mais lo-fi, que dá um aspecto caseiro ao som. Pouco tempo depois saiu Maraú (2016) com quatro regravações do EP e mais seis faixas inéditas.

Eles não escondem a influência de diversos artistas, indo de Caetano Veloso e Mutantes até Velvet Underground e Mac Demarco. O que resulta numa sonoridade característica, com arranjos suaves, como se — em vez de sentir a brisa praiana — pudéssemos ouvi-la. Porém, a influência já mencionada de Velvet Underground, por exemplo, gera um som também puxado para o rock experimental. Outro fator que contribui para isso é que Mateus Estrela também participa da duo Morse, que faz um eletrônico experimental, podendo receber influência dele mesmo.

O timbre de voz me lembrou bastante Cícero, mas os paraenses têm esse estilo versátil — dando “uma vibe west coast californiana” ao MPB e, por vezes, algo meio psicodélico — , o que limita as semelhanças com o carioca.

Falando sobre essa vibe de praia, vale ressaltar o trabalho feito no clipe de “Ter Mar”, faixa do EP e do álbum.

O clipe foi produzido de forma independente e mostra os integrantes tocando na beira do mar na Praia do Marahu, na Ilha de Mosqueiro. Além disso, foi vencedor da categoria Vídeo Arte no Festival Osga de Vídeos Universitários.

Mateus Estrela falou ao Tenho Mais Discos Que Amigos sobre o clipe quando ele foi lançado: “Acho que o vídeo transmite o feeling da banda e do EP: caseiro, intimista e despojado”.

Maraú (2016)

Caseiro, suave, experimental e intimista. Não sei qual das característica faz com que Maraú seja bom de ouvir. Mas são elas todas as responsáveis por — ao darmos play — sermos transportados para a beira da praia, sentindo não só o vento do mar, mas como diz a letra de “Ter Mar”: “ A brisa pra secar meu pranto”.

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