Por mais pipas vermelhas no céu.

Por mais pipas vermelhas no céu. Silêncio interrompido entre o sonho e o acordar. O choro matutino combina com a chuva que quase nunca aparece nesta cidade que tenho vivido e estabelecido uma relação. Relação em construção, com altos e baixos, com crises e DR's. O desconforto solidário de quem está com medo, de quem mesmo no início da jornada parece já está cansada de tantas perfurações para que algo forte e duradouro fosse construído. Quero mudar as cortinas, pensei hoje enquanto o sol entrava até a metade da minha sala. A chuva não veio até agora como estava na previsão do tempo. Pensei nos cuidados que tenho tido com as plantas. E também nas confusões alheias ao olhar o céu e acreditar que a pipa era laranja ao invés de vermelha. Ela voava mais alto que podia por entre as nuvens. Todos os dias, anteriores a hoje, eu corria e a avistava lá. Brilhante e firme. Atravessando ventos fortes. Ou simplesmente mantendo-se no alto quando o vento estava fraco. Hoje corri para o lugar de sempre e ela não apareceu. Como se sentir seguro quando o vento é quem decide o curso da pipa vermelha no céu?