Vim falar da cultura, da intolerância e da politicagem…

Nem as melhores escolhas de enredos poderiam sugerir uma crise onde o carnaval deixasse de ser celebrado no Rio de Janeiro. Digo isso por que desde a consolidação dos desfiles das escolas de samba como principal produto cultural da festa o que sempre vimos foi a união entre o estado e as escolas. Pois bem nas ultimas semanas houve uma quebra deste acordo velado entre o poder público e a Liga Independente das Escolas de Samba.

Sem me ater ao que todos já sabem, sobre o corte da verba de 50% (de $2MI por escola para $1MI pro escola) talvez o centro das discussões seja o motivo alegado para o corte.

Entre investir $13 milhões em melhoria de infraestrutura para creches ou destinar a mesma verba para o carnaval a primeiro opção seria a mais sensata.

O discurso do Prefeito no entanto colide com as promessas feitas ainda em campanha quando o mesmo afirmou que manteria o orçamento para o carnaval sabendo que a festa representa lucro para a cidade. A retorica funcionou e supostamente alinhado aos interesses das escolas de samba os presidentes em sua maioria declararam apoio ao então candidato. Essa falsa promessa que garantiu votos agora expõe o principal produto turístico do Brasil á prova.

Entre a atividade cultural que emprega tanta gente, o entretenimento que garante audiência para a emissora de tv que já pagou inclusive o direito de transmissão de 2018 e a crise vigente da economia e a politicagem escusa de nossos governantes vemos o pior e claramente o motivo mais provável deste corte na subvenção.

A intolerância religiosa.

O prefeito não respeita o cargo que lhe confere e toma atitudes baseadas em suas crenças e isso ninguém pode aceitar, nem mesmo os fiéis de determinada religião.

Como cultura os desfiles tem sua legitimidade, como turismo representa geração de empregos, é obvio que do valor estimado em $ 3 bilhões de arrecadação que a festa promove para a cidade daria pra tirar $13 milhões para as crianças das creches.

A tática do Prefeito só nos mostra o quanto interesses pessoais estão na frente do bom senso para um governante com pensamento “xiita” sobre determinado assunto.

Quem ler este texto pode até discordar, mas creio que as atitudes desde a posse como Prefeito revelam que quando o assunto é carnaval Marcelo Crivella não sabe separar o homem que escolheu a carreira política do religioso.

E isso é grave! Porque alem de atrapalhar diversos setores o que o Prefeito está fazendo é justamente o que menos se espera de alguém que esteja no poder executivo. O Estado é laico! E isso por si só já deveria ser motivo pra respeitar qualquer cultura.

O que fica para a nossa reflexão é que diferente do Apostolo Paulo que largou o Sinédrio Romano (equivalente ao nosso Senado) para professar sua fé, religiosos tem feito ao contrário para divulgar suas causas individuais.

Enfim, este texto tem o objetivo de fazer você leitor entender que independentemente dos ingredientes que está discussão causa todas as partes envolvidas merecem respeito.

Quem defende o carnaval como cultura popular brasileira não está contra as criancinhas das creches e quem defende este dinheiro para as criancinhas não deve estar contra os desfiles. A intolerância é um mal que só serve para piorar nosso atual estado como sociedade e população.

Sobre os desdobramentos, creio que o Prefeito só tem duas saídas:

Recuar em sua posição, o que acho difícil ou então tomar muito cuidado pois essa decisão afeta sua integridade física e não vejo isso como perseguição mas sim como revolta de gente que depende do carnaval pra sobreviver.

As escolas sobrevivem com ou sem desfile por um ano, elas tem atividades em suas quadras, mas a imprensa, a rede hoteleira a tv estão profundamente interessadas na realização da festa.

e você assim como ou cidadão pode tomar partido do que desejar, mas avalie e separe as coisas pois pra toda ação há uma reação.

A Unidos do Viradouro ainda previu em 2016 não poderíamos abusar da sorte e abusamos com tanta coisa pra lidar agora temos também a intolerância…

desfile da E.P. de Mangueira 2017 tripé Cristo \ Oxalá
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.