Quando falta um de nós.

Esta é a primeira vez que escrevo sobre algum acontecimento. Por mais que goste de palavras, não gosto muito de escrever. Prefiro falar. Porém, falar sozinho cansa e a analista só me escuta uma vez por semana.

Eu ainda paro e penso: “O que aconteceu com a minha vida? O que aconteceu com a sua vida?”. Posso escrever muitos clichês aqui hoje. Mas quando se sente o clichê na pele, deixa de ser clichê e torna-se aquilo que é sentido, sofrido.

Quando fortalecemos um laço, nunca pensamos em rompê-lo. Afinal, resistências são vencidas para que se fortaleça um laço. A idéia de imortalidade não cabe somente a nós, mas a tudo que nos faça sentir a vida. Nos sentirmos vivos.

Cansei de resistir, me rendi a sua aproximação, saí da minha zona de conforto para caminharmos lado a lado. De repente, quando espero um sinal da sua presença, fui surpreendida pela sua possível ausência. Pra sempre. Tudo muda (clichê). Numa fração de segundo, do dia pra noite. Tudo muda.

Surtei. Perdi a cabeça. Me afastei de mim, de você, de todos. Nunca mais me encontrei. Nunca mais te encontrei.

Saí perdida por ai. Sem olhar para trás, para os lados, fui além do que eu poderia ir. Olho pra trás e percebo que fui longe demais. Longe demais. Nunca pensei que iria longe demais.

Fui tão longe que encontrei a vida. O sol aquece o meu corpo que já estava acostumado a ficar gelado. Olho para trás e sinto saudades, mas aqui está quentinho demais para voltar a sentir frio. Sentir o seu frio.

Agora eu vejo que lidar com a ausência é também lidar com a presença. Uma presença imaginária e fantasiosa. Uma presença que retorna ao mais primitivo desejo de estar junto, mesmo sabendo que a ausência torna-se necessária. Para a vida.