Me formei. E agora?

Desde a minha formatura, em janeiro de 2017, as coisas mudaram. Não é só o fato de ter as noites livres, sem ter trabalhos pra fazer nem ter que escrever o TCC. Nem também a alegria dessa conquista depois de 4 anos. Não só isso. Pensei tanto sobre isso, que tive alguns insights.

Olha bem como a nossa vida é “programada”: primeiro a gente vai pra creche, entra pro colégio, faz cursinho (no meu caso), entra pra faculdade e depois…bom e depois não sei! A gente segue um ritmo “natural” — pra uma porcentagem privilegiada da sociedade — de metas que foram impostas pra nossa vida. E depois da formatura, a gente só precisa trabalhar. E deu? Acabou por aí? Até o momento da formatura, temos um objetivo: nos formar (dã). E depois disso? Só uma vida inteira de trabalho até a aposentadoria(que, inclusive, vai demorar uns bons anos)? Fomos ensinados a seguir todos esses passos, mas depois da formatura a gente é largado no mundo, ainda meio atordoado de tanto estresse e ansiedade, sem saber o que fazer daqui pra frente, porque a cadeira “projeto de vida pós-colação” não fazia parte do currículo.

Isso sem contar todas as pressões que uma formatura implica: “Já tem emprego?”, “Mas tu ganha só isso?”, “Na tua idade, eu já tinha carro e casa própria”, “Terminou a faculdade, tá na hora de casar”, “Morando na casa dos pais ainda?”. E não, não somos obrigados a tudo isso. E também não, não somos preguiçosos por ainda não ter conquistado essas coisas. Mas a gente acredita que já deveria estar ganhando 10 salários mínimos, com o carro próprio na garagem própria. Doce ilusão.

Na verdade o que mais me incomodou nessa situação toda era que tava indo tudo tão bem pra mim que eu nem sabia porque tava sofrendo tanto. Eu tava formada, empregada, com a vida organizada…faço o quê daqui pra frente?

Outra coisa. Parei pra pensar como a Famecos me transformou. E não só em relação ao conhecimento da minha área profissional, mas sobre a vida mesmo, em questões políticas, sociais, culturais e etc. Sério, antes disso a gente é só um bando de adolescente cheio de dúvida. Dentro da faculdade a gente se descobre, a gente pensa, compartilhar, troca experiências, aprendizados, se redescobre e cria a nossa própria identidade, pela primeira vez na vida. Sim, parece um monte de clichê, mas é verdade. E quando a gente perde esse lugar que nos proporcionou tudo isso, ficamos olhando pro futuro com aquele medinho de seguir adiante, sem ter a certeza que já somos grandinhos suficiente pra andar sem as rodinhas da bicicleta.

E aí vem o terceiro ponto: a formatura é a porta de entrada pra vida adulta. Mas estaria eu pronta pra ser adulta? Sem nem sequer carro, casa, filhos, estabilidade emocional, um emprego de milhões de reais eu tenho, como vou conseguir me virar sozinha no mundo? Isso eu ainda não sei como responder, só sei que essas coisas passam na cabeça mesmo. Eu mesma não sei se sou adulta e fico aqui me perguntando onde está a linha tênue que separa a adolescência da adultice.

Enfim, todas essas linhas pra não chegar a lugar nenhum, mas no fim era só pra compartilhar uma angústia que percebi que não só me incomodava, mas vários dos meus colegas que colaram o grau comigo pouco tempo atrás (inclusive, foi o post de uma colega no Facebook que me inspirou escrever sobre isso). A verdade é: não tenho respostas pra crise pós-formatura, mas tá todo mundo na mesma barca.

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