Eu achava que desistia muito fácil das coisas.

Meu pai sempre reclamava porque eu vivia mudando de hobby, de lazer. Simplesmente enjoava ou cansava. Daí comecei a tentar ser mais resistente, aguentar.

Eu aguento, eu pensava. Daí a coisa começou a ficar ruim mesmo. Comecei a reclamar.

Me tornei uma pessoa reclamona. E acabava sofrendo com cada coisa que acontecia.

E tudo ficava pesado, mas eu resistia. Colocava ao menos prazos com limite suficiente, achando que assim eu seria justa, não só comigo, mas com as pessoas que estavam envolvidas na situação.

As vezes, muitas vezes, eu simplesmente fugia da situação. Ou seja, se não estava bom, eu reclamava. E se não adiantava, eu deixava de lado, me pendurando na situação. Achando que eu já tinha resolvido, quando na verdade eu estava acumulando “sofrência”.

Daí fiz um curso de autoconhecimento, que dura três anos. E eles me mostraram que era preciso encerrar um ciclo para começar outro. E fui aprendendo a fechar as portas quando necessário.

Mas então. A história não acaba tão simples assim. Existem coisas pelas quais ainda lutamos. As portas que ainda estão abertas (porque é necessário portas abertas para se viver).

Me acostumei a reclamar. Acordei essa semana no meio da noite, num caos abstrato de sonhos, com calor. Eu queria mudar aquela situação, mas não sabia como. Virava para um lado, para o outro, reclamava, e continuava quente.

Eu tinha esperanças, do tipo de que meu namorado viria da sala, e ligaria o ar condicionado. Mas euzinha simplesmente continuava no meu mundo abstrato sem conseguir medir forças. Eu morria de calor e sono e reclamação.

Até que…

Eu levantei e liguei o ar condicionado, e meu mundo ficou cor de rosa.

E daí eu pensei: esse é o resumo da minha vida.

Eu reclamo demais. Espero que os outros ou uma ordem divina resolvam meus problemas.

Esqueço, ou não quero tomar decisões.

Pensei que talvez fosse melhor eu voltar a ter o senso infantil que já tive, para tomar minhas decisões.

Então meu conselho para você, e para mim é: não tem problema mudar. Mude quando sentir que é necessário. Confie nos seus sentimentos. Não importa se é um dia, 18 meses ou quando acontecer algo.

Pelo menos eu era mais feliz nessa época, e não tinha tantos medos, inclusive de decepcionar as pessoas, principalmente meus pais.

Mas importante: assuma também as consequências. Já tem idade para ter responsabilidades.

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