Absolutamente nada

Mais uma vez ela não sabia como tinha chegado a esse estado. Começou a repensar sobre a sua esperteza, por sempre ser pega desprevenida.

Seu corpo só se movia, quando seus dedos precisavam afastar as lágrimas acumuladas no canto do nariz. Seu choro não era de dor, nem de tristeza, mas preferia que fosse, o que ela sentia era absolutamente nada. Ela não chorava por nada, chorava por estar mais uma vez anestesiada, com a sensação de que sua alma tivesse ido dar uma volta, sem avisar que horas voltaria.

Algo dizia pra ela ir com calma, mas o que ela queria mesmo era ir com tudo em alguma coisa grande e sólida. Ainda existia a esperança de que aqueles minutos eram apenas um sonho. A lágrima que traçou seu rosto lhe disse que não era.

Parou pra pensar em tudo e mais uma vez concluiu o nada. Se perguntou mais uma vez porque permitiu que tanto de si deixasse de existir, sem resposta, deixou que seus pensamentos se tornassem vagos e lembrou que as luzes de Natal do vizinho não eram bonitas, mas logo teve a certeza de que ela não era capaz de enxergar que aquele colorido tinha algum significado e lembrou que ela não conseguia sentir absolutamente nada.

Antes disso tudo, tinha visto fotos do fim de tarde, em alguma rede social que nem se lembrava mais qual era. Decidiu que se levantaria e ia ver o mesmo céu, percebeu então que estava deitada com os pés para a cabeceira da cama, se perguntou o que aquilo poderia significar e concluiu que não significava absolutamente nada.

Exausta de si mesma e de tantas divagações pessoais, tentou sentir raiva, mas de memória curta, se lembrou que não conseguia sentir absolutamente nada. De nada em nada, ela se acostumou e isso representava absolutamente tudo.

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