Maria Beemote

Ela olha da beira do penhasco e lá em baixo vê o cadáver do velho Pedro, eternamente mumificado pelas cinzas e pela areia. Ele morreu quando ela tinha três anos, numa briga com o vô. Vô e o seu Pedro tinham discutido por muitos dias, até que o vô deu um tapa no outro perto demais da beirada. A pior parte foi que ele não morreu quando chegou lá em baixo. Ele se levantou e ainda caminhou por duas horas antes de finalmente morrer. Maria assistiu tudo com seus binóculos, seu corpinho tremendo com uma curiosidade mórbida.

Ninguém descia o abismo. Não valia a pena, lá em baixo só havia a areia e os vapores tóxicos que às vezes partiam o solo e subiam num jato quente. Assim, seu Pedro ia ficar para sempre deitado na areia, cada vez mais pálido, cada vez mais seco, mas ainda parecendo que iria levantar a qualquer minuto.

Muitos quilômetros além dele ergue-se o Beemote, o vulcão. O Beemote é a coisa mais maior de grande que Maria conhece em toda a sua vida, mas o vô sempre falava sobre como ele era um dos pequenos. Maria nem gosta de pensar no que era um vulcão grande de verdade

A mãe de Maria a chama para que saia de perto da beirada. A menina obedece. Maria gosta do barulho das botas novas na areia.

+++

O Beemote começou a soltar uma fumaça preta na semana passada, acabando com um longo tempo de tranquilidade. Ele está quieto tem onze anos, mas finalmente acabou. Em breve a fumaça vai cobrir o Sol e se for como da última vez, Maria escuta a mãe dizer, vai durar meia década. Anos na penumbra empoeirada, na fumaça e na febre.

Os que sobreviverem vão ver as cinzas assentarem e a terra fica cheia de líquen verde e gosmento. O que for comido pelo líquen se tornará uma graminha minúscula, mas densa como couro de cabra. Essa grama vai engordar os animais, ralear o sangue, engrossar o couro. Maria é sortuda porque pôde crescer na época da grama. Seus priminhos não tem a mesma sorte.

A primeira onda de fumaça ainda é fina, mas já vem cheia de fuligem e estraga um monte de coisas. A cerca elétrica é a primeira coisa a parar de funcionar e os carros começam a fazer um barulho bizarro. Todo dia, os tios e tias sobem e descem as escadas e zanzam e zanzam de um lado a outro dos barracos. O que é muito importante é levado para o porão da Prefeitura, a única construção de alvenaria da vila. Maria fecha o rosto. O porão é sua oficina, geralmente, mas agora vira um depósito de trecos dos outros. Ela tem de carregar suas coisas para o quartinho do pai para não misturar suas sucatas com as sucatas do resto da vila.

O último grão da ampulheta é quando o rádio para de funcionar e a mãe de Maria passa a manhã toda xingando.

– Aquela merda de cabrito do inferno para a derretida que pariu daquela Antena. Não podia nem esperar o Meco voltar.

Maria ri.

– Mãe, eu posso olhar, se você quiser.

Maria tem um jeito com os aparelhos. Se o Meco é bom, ela é quase tão boa quanto e tem a vantagem de ter mãos pequeninas.

A torre do rádio não fica longe, mas a caminhada no calor e na fuligem, carregando ferramentas e utilitários, é mais do que Maria está disposta a lidar. Infelizmente, o tempo de ir buscar a carroça dos cabritos é suficiente para atrair a atenção dos priminhos. Ela tem de colocar um terceiro animal na frente do carro para puxar os quatro menininhos que se agarram a ela, choramingando e implorando. Não fosse a cara de alívio no rosto dos pais deles, Maria bateria o pé para que ficassem.

Maria adora a torre do rádio. Por muito tempo, ela achava que o Beemote era grande porque era duas vezes a altura da torre. Então chegou a idade de aprender os números e Maria entendeu que a proporção era de 12 para 1 e ela perdeu o fôlego. O Beemote era tão alto quanto a torre era distante da cidade.

A vila lá em baixo do morro fica pequenina, as pessoas como vermes na areia. Os priminhos correm ao redor da estrutura metálica, gritando e rolando na poeira. Seus rostos estão mais vermelhos que a ferrugem da torre.

Maria passa o cabo de segurança no cinto, dá uns puxões, verifica as fivelas. Então vai subindo, encaixando as botas entre as barras, agarrando-se as porcas e pregos. Ela não é forte e o equipamento isolante de eletricidade atrapalha, mas sabe que pode subir se for com calma. Os primos batem palmas quando ela chega na plataforma do meio do caminho. Ali o vento é tão forte que ele balança os cachos fechadinhos e densos na cabeça da menina. A fuligem é tanta que deixa sua boca seca se ela a abrir. Maria sobe a máscara e os óculos de proteção antes de continuar. O suor pinga grosso quando ela chega ao alto. Dali pode ver toda a borda do penhasco, a vila, as colinas verdes que marcam o final de todo o mundo que ela já andou. O mundo além dali é de tempestades de areia, gente derretida e Aranhas Pálidas. De tiros e carros, de selvageria.

Há uma fumaça escura escondendo o topo do Beemote. Em alguns dias, a fumaça vai cobrir toda aquela paisagem e eles vão viver na escuridão amarela e fedida por muito tempo.

Maria não demora a encontrar o problema. Um fio desencapado que entrou em curto com todos os resíduos que se colaram nele. A menina desliga a força, refaz e reforça a ligação. Puxa o aparelho enorme da cintura e aperta o botão.

– Aqui é Maria para Chefe 1. Chefe 1 na escuta, confirma? Câmbio.

– Chefe 2 na escuta. Chefe 1 está indisponível. Maria, o que você está fazendo? Câmbio.

– Oi Pai, estou consertando a torre do rádio. Câmbio.

O chiado persiste por um tempo.

– Está com seus binóculos? Estou no portão Norte.

Maria vê o pai lhe acenando, seu sorriso branco contra o rosto escuro. Ela responde com uma linguagem de sinais com movimentos de braços.

“Oi feioso”.

– Maria, há uma movimentação de poeira atrás dos morros das ovelhas, você pode ver o que é? Câmbio.

Maria procura e não demora a perceber, surpresa por não ter visto antes. Da sua posição, os pontos negros saltam à vista mesmo sem as lentes ajudando.

– Pai — ela fala tremendo — Pai, são carros!

+++

Os homens chegam em menos de uma hora, um comboio maior que a população da vila inteira. A mãe de Maria se adianta à frente, oferecendo a mão para o homem de pele arranhada e áspera que vem acompanhado de duas senhoras armadas. Ele é duro e seco como o próprio deserto, suave apenas onde uma pessoa gosta de fingir ser: no sorriso e nas maneiras.

– Vejo que sua comunidade tem prosperado, Madi. Fiquei preocupado quando seu pai morreu, mas bom saber que você tem dado jeito das coisas.

O vô estava morto há cinco anos.

– Eu faço o que posso. Já tivemos épocas piores, é verdade. Bem-vindo, chefe Bramante.

Maria já ouviu falar deles. O chefe Bramante é quem protege aquela ponta do penhasco do povo derretido, dos bichos e dos selvagens. Suas guardas famosas sãos as Aranhas Pálidas, a guerrilha mais nervosa daquele lado do plateau.

– Vocês não mandam uma cota de rações há algum tempo — Bramante diz e Maria vê sua mãe fechar os punhos. É o pai que passa à frente e continua a conversa, convidando os estranhos a entrar.

Maria sente a tensão nos próximos dias, mas não diz nada. Isso é uma coisa que se aprende rápido na vida, não perguntar demais quando as pessoas estão tensas. Mais de uma briga já estourara quando alguém puxara conversa durante uma tempestade de areia. Ela apenas anda silenciosa atrás das pessoas, escuta o que pode, fica de olhos nos recém-chegados e fora do caminho da mãe e do pai. Come da panela dos outros para que eles não se preocupem com alimentá-la, dorme cedo para que não tenha de receber a ordem deles.

O final da semana já a deixa a flor da pele, porém, ainda mais com a visão sinistra da nuvem de fuligem quase beijando a beira do penhasco. Maria procura o escritório do pai, cansada, atrás do refúgio das suas sucatas. Ela não espera encontrar o lugar ocupado. Atrás da mesa, o rapaz senta-se quieto, concentrado, mexendo na forma preta de um rifle. Maria congela na porta.

– Oi — ele fala, percebendo que a assusta. Ele faz parte do comboio de Bramante, tem a pele ainda mais escura que a de Maria, a cabeça raspada rente ao couro. Quando ele sorri, ela abaixa os olhos.

– Essas coisas são minhas — ela fala rapidamente, apontando a pilha no canto do quarto como se tivesse de justificar o que estava fazendo ali. Ela odiava a ideia de ter que justificar o que fazia dentro da sua casa.

– Não se preocupe, não vou mexer nelas.

O rapaz roubou a mesa, mas Maria tem um caixote e disposição. Ela tira da bolsa os rádios que estragaram recentemente, os poucos que ela conseguiu pegar antes de Meco tomar tudo para sua oficina. Com cuidado, abre o primeiro e sopra a fuligem dos cabos.

O olhar do estranho pinica suas costas, mas apenas no primeiro minuto. Logo Maria está imersa nos circuitos, nos chips e fios. O primeiro rádio volta a funcionar com um estalo. Ela sorri, ouvindo com calma a voz do Pai conversando com o tio Matias.

O segundo está mais danificado, precisa de novas peças que ela não tem no momento. Quanto o terceiro tem um chip queimado, ela decide sacrificá-lo em prol do segundo aparelho.

Da carcaça do terceiro ela puxa peças e separa em caixinhas de couro.

– O que mais você sabe consertar? — O rapaz pergunta. Maria olha por cima do ombro, desconfiada.

– Qualquer coisa — Maria diz. Ela está se gabando, mas não sabe disso. Dentro de si, acredita mesmo que só precisa de tempo com o aparelho para poder resolver um problema.

– Já consertou um motor antes?

Maria concorda.

– E armas?

Ela para, olhando o amontoado preto na mesa. Seus dedos suam frio por um momento.

O revolver é diferente dos que eles tem ali na vila. É menor, quadrado, mais compacto. Mais perigoso, Maria reflete, percebendo o tamanho do compartimento de munições.

O rapaz já desmontou parte dele e oferece o resto do corpo para Maria. Ele gira o objeto na mesa. Pesado. Duro. Maria puxa uma peça e ela escorrega na sua mão, desencaixada. As engrenagens do seu cérebro já giram, entendendo os mecanismos sob seus dedos.

– O que há de errado? — Maria pergunta.

– Às vezes, o estojo do tiro disparado não é ejetado e emperra.

Maria para, considerando as causas. Desiste no meio, colocando a arma de volta na mesa. Sua mãe não gosta que ela mexa com armas. Não antes dos quinze anos, ela disse. Não antes de Maria ver o que algo como aquilo é capaz de fazer com uma pessoa. Ela nunca vira alguém morrer por um tiro antes, apenas por doença e, uma vez, empurrado do abismo. Todos os homens de Bramante carregam um revolver daqueles, porém. As Aranhas tinham os seus cheios de marcas, um sinal de sua letalidade.

A menina recolhe suas mãos, incerta.

– É esperto saber quando não arriscar — o rapaz concorda com um sorriso torto.

– Foi mal — Maria diz.

– Só queria ver o que você faria e, na verdade, acho que é a coisa certa. Depois que se cria intimidade com essas coisas, não dá para voltar atrás. Ela muda você.

O rapaz tem uma voz jovem, mas seca. Seu sorriso parece sincero, entretanto.

– Muda como?

– Uma coragem idiota. Você se acha invencível.

Maria se achava invencível às vezes. Ela se sentira invencível no alto da torre de rádio, mas bem menos agora que a nuvem preta estava se fechando ao redor da vila. Ela não se sentia nem um pouco invencível quando via o corpo caído no deserto.

– Vocês vão machucar minha mãe? — Maria sussurra.

– Não vamos ferir ninguém. Estamos só consertando os motores e negociando, prometo.

Maria faz ele apertar sua mão. No deserto, se você apertar a mão de alguém e quebrar a promessa, a pessoa vai ter posse da sua alma como escravo até o dia do juízo final. Maria não tem a alma de ninguém ainda, mas sabe que o Vô tem a alma do Pedro. Pedro deve estar polindo a pistola do Vô todos os dias lá no limbo.

Maria colocaria a alma daquele menino para procurar sucata para ela.

– Qual seu nome?

– José. E você é Maria. Sua mãe me contou. Quantos anos você tem, Maria?

– Treze.

– Eu tenho dezesseis.

Maria não conhecia ninguém com idade tão próxima da sua. Os anos haviam sido justos com pasto, luz do Sol e doenças, mas nem tanto com a natalidade. Ela havia sido a o primeiro bebê em sete anos. Dos cinco que nasceram no mesmo ano que ela, apenas ela chegara na puberdade. Os priminhos tinham dado mais sorte, sua geração viera seis anos depois e cheia de saúde, mas composta totalmente de meninos. Os ânimos andavam nervosos até ano passado, quando seis bebês nasceram, quatro delas meninas. Todas lindas e fortes, com pulmões que não reclamavam da fuligem. Com sorte, a escuridão passaria antes delas se tornarem adolescentes.

A menina nunca sentira tristeza com o fato de ser a única da sua idade por perto. Isso até ver os priminhos crescendo. Corriam pela vila sempre em grupo, sempre unidos, um contraste amargo da maneira como Maria vivia. Algumas vezes, ela desejava o silêncio dos seus pensamentos. Em outras, o mesmo silêncio era insuportável.

Talvez por isso ela goste tanto dos rádios e de som. As vozes dos outros a consolam.

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Maria às vezes puxava a oração antes das reuniões da vila. Eles gostavam de sua voz. Ela era a única fêmea com menos de 25 anos na vila e sua voz ainda era suave e fina, ainda não tinha respirado cinzas o suficiente para arruiná-la.

Bramante fala à vila naquela noite, agradecendo a hospitalidade e os recursos. Ele assegura que haveria apoio naquele período de cinzas e que os selvagens estariam contidos. Maria observa tudo com um certo peso no coração.

As Aranhas a fascinam. Elas riem alto, falam mais alto ainda, rezam em silêncio absoluto — o único momento em que ficavam serenas, sem parecerem selvagens elas mesmas.

José está sentando ao lado do chefe. Ele procura o olhar de Maria durante a ceia, mas a garota foge dele. Não quer que ele saiba que ela também o olha.

+++

Papai e Mamãe puxam Maria prum canto no fim da noite. Ela não gosta do rosto deles, mas estão mais tranquilos do que estiveram em toda a semana.

– Filha. Sabe que você está na idade da catequese.

Maria concordou.

– Eu estou estudando direitinho.

– Não é isso, querida. O que eu quero dizer é que você já é grande suficiente para tomar algumas decisões.

A Mãe perde o fôlego por um momento.

– O comboio de Bramante vai embora amanhã. Você quer ir com eles?

Maria morde a boca. Porque ela iria com eles? Sua vida inteira estava nos quilômetros que existiam entre as colinas de líquens e o abismo.

– A verdade é que você está em idade de casar, Maria, e nesse lugar aqui não há ninguém bom o bastante para você.

– Os últimos vinte anos não foram gentis com meninas em nenhuma das vilas. Bramente tem três filhos e mora num povoado maior, mais bem equipado e mais seguro.

Maria olha para o lado, sentindo o medo queimar pelo seu corpo como nunca antes.

– Nós conversamos com um dos meninos. Ele parece um bom rapaz.

– O que sua mãe quer dizer, Maria, é que existe essa possibilidade para você, mas há um preço, você entende? É uma boa chance, a melhor possível, mas depois de dizer sim você não vai poder voltar atrás.

Maria nunca vira um casamento de verdade, mas achava a ideia muito bonita. Ela tivera um noivo, um dos meninos que nascera em seu ano. A febre o levou antes mesmo que eles aprendessem a andar e Maria sequer aprendera seu nome. Casar é a obrigação de todo ser humano. Só se tinha uma chance de acertar, porque depois o útero da moça secava e o saco do homem ficava infértil. Mudar de parceiro era perigoso. Havia doenças que se pegava ao trair o parceiro, doenças que matavam. Havia uma história que o vô contava, de um homem que convenceu três pessoas a deitarem com ele. Três deles morreram com a alergia da mistura de sangues.

Nenhum útero e saco fértil podiam ser desperdiçados naqueles tempos. Com o período da fuligem chegando, levaria ao menos seis anos para Maria poder ter filhos mesmo se já estivesse sangrando. Ela queria casar, queria ter um filho. Ou ao menos, sempre achava que queria. Só nunca pensara que teria de sair de casa para isso.

A mãe de Maria pensa no casamento de maneira prática, pesando os perigos para uma menina sozinha numa cidade sem garotos da sua idade. Seria apenas uma questão de tempo até que um dos homens mais velhos quisesse ter uma segunda esposa para arriscar outro bebê. Os pais de Maria teriam que matar alguém em algum momento.

Maria não percebe tudo isso ainda. As lágrimas se penduram nos seus olhos.

+++

Ela chora a noite inteira e parte da madrugada. Seus pais estão do lado dela o tempo todo, convencendo-a a ir. A vila é um lugar maravilhoso agora, mas em cinco anos? Ela estaria sozinha, cercada por velhos e crianças.

Na manhã seguinte, ela recebe três presentes. Um é do chefe Bramante, um par de botas novas de couro rosado, mais fortes e duras que suas botinas de couro de cabra. Elas fazem contraste com a pele escura e Maria as acha muito bonitas, mas não tem coragem de usá-las.

Dos pais, ela ganha um conjunto de roupas. O colete, o casaco e a calça são quase intactos pelo tempo e pela poeira.

De José, ela ganha um rádio. É pequeno, menor que sua mão e precisa de um cabo para funcionar. Quando Maria encaixa as pontas do cabo nas orelhas, ele recebe um som que ela não sabe de onde vem, mas é agradável. Música como ela nunca ouvira antes.

Ela descobre que vai viajar no carro das Aranhas e seu coração dá um pequeno salto tanto de medo quanto de felicidade. É um sentimento como olhar para baixo do alto da torre de Rádio. Maria percebe que não é de todo ruim.

Ela nunca detestara o Beemote. Como a Deusa e o Deus, ele dava e tirava. Abençoava e amaldiçoava. Maria sabe ver que recebeu mais bênçãos que maldições em sua vida. A catequese lhe ensinou a apreciar aquilo.

Só pede ao Deus do tempo para que possa voltar um dia e ver seus pais, pede para que eles vivam até ficarem bem velhinhos e então ela os levará para morar com ela.

A mãe de Maria a chama para que saia de perto da beirada do abismo. A menina obedece. Maria gosta do barulho das botas novas na areia.

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