O gostar e amar na modernidade líquida

Há bastante tempo eu tive contato com uma senhora que aparentemente vivia o casamento dos sonhos. Ela o marido não desgrudavam um do outro. Contavam histórias de viagens, da criação dos filhos e das aventuras feitas a dois. Mas em um momento ela falou que nem sempre a união afetiva teve a cumplicidade e a calmaria notada por mim naquele dia.

Problemas financeiros, alcoólico e conjugais eram enfrentados diariamente. Porém, em meio a todos eles, o amor prevaleceu e trouxe a paciência, responsável por consertar ao invés de descartar sentimentos ou pessoas. Não me lembro há quando tempo são casados, mas notei que os dois vivem super bem na companhia um do outro. O respeito é visto de longe.

A opção de consertar ao invés de descartar. Fonte: Arte Viva

Olhando a situação, pensei comigo: quantos casamento hoje em dia passam por tudo isso e duram? Encontrei a resposta na chamada “Modernidade Líquida” de Bauman, um sociólogo polonês que discorre sobre a fragilidade dos laços afetivos. Para ele, estamos vivendo em tempos líquidos, em que nada foi feito para durar. O casamento da senhora que citei logo acima felizmente escapou desses tempos. O que vemos hoje é completamente lamentável.

E devo-lhes ser franca: eu sofro por fazer parte da modernidade líquida. Estamos cada vez mais individualistas. A gente se fecha para o nosso mundo cheio de regras e condições e, quando alguém aparece para nos oferecer amor, falamos que isso não enche barriga. No primeiro defeito notado, arrumamos logo uma briga e se isso repetir, descartamos a pessoa. Não, não é término, é descarte mesmo. Julgamos não ser a pessoa certa e por isso tratamos de afastá-la de nossas vidas como se nada de bom tivesse sido vivido um dia.

A modernidade líquida é marcada por jovens tentando encontrar um amor para a vida toda, mas indispostos a consertar o relacionamento em fases ruins, que hoje têm sido corriqueiras devidos ao tanto de redes sociais que somos cadastrados. O simples ato de dar um like desencadeia uma discussão.

Não quero dizer para permanecemos em relacionamentos abusivos ou para ficarmos com quem só nos faz mal. Se existir amor, existirá o respeito e esses dois elementos podem ser uma ponte para um relacionamento duradouro. Em tempos de imediatismo, encontrar uma pessoa para ser parceira(o) na vida se tornou uma tarefa difícil. Na modernidade líquida, gostar ou amar alguém infelizmente tem prazo de validade.

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