O ritmo polifônico de Across the Universe

Esta era a semana de classificar a narrativa de uma produção de vídeo, seja ela um filme, curta ou clipe. Eu não queria, com todas as minhas forças, dar exemplo de um filme linear. Não porque não ache bom ou porque desprezo narrativas lineares, e sim porque não queria simplesmente justificar que o filme é linear já que segue um ritmo de “começo, meio e fim”.

Depois de pensar nos filmes que já assisti e só virem exemplos lineares na minha cabeça (!), lembrei de um filme com narrativa polifônica, Across the Universe. Dirigido por Julie Taymor, o musical utiliza os personagens das canções dos Beatles e monta uma história envolvendo vários sucessos da banda. A história basicamente é um romance entre Jude e Lucy, que se apaixonam em meio a todo o caos da época, como a Guerra do Vietnã.

Essa narrativa polifônica é identificável logo no início do filme, que mostra um pouco da vida dos personagens, com foque no que cada um é para depois entrelaçar as histórias de cada um, mesmo não sendo os protagonistas. Por exemplo, logo no início do filme vemos Prudence, cantando “I Wanna Hold Your Hand” de maneira triste e melancólica, e isso reflete na personalidade dela, como vemos ao longo do filme. Também no início mostra Jo-Jo, um músico independente que mais tarde se unirá a Sadie, outra artista.

Mas referente aos protagonistas, podemos ver a vida de cada um. Jude morava na Inglaterra, em Liverpool, e Lucy nos Estados Unidos. Durante a música “Hold me Tight”, há cortes para o local onde estava cada personagem, alternando a cenas entre um e outro antes de se conhecerem.

O mais interessante é a maneira como a diretora desdobrou o filme, apresentando os personagens e depois os juntando gradativamente, de forma natural e dando sentido as cenas com as letras das músicas.