Profissão. Missão. Ação!

Faz tempo… 
Um tempo diferente do tempo. 
Muito+muito+muito tempo que não escrevo.

Não sinto medo nem vergonha. Sinto vazio.

Quando era jovem fazia sentido classificá-lo como sindrome do branco, mas agora dizer “va-zio” já é muito. As palavras ganharam um valor tão fora da caixa dentro de mim que me tornei incompreensível pra maioria…Ninguém entende. Por isso, o tempo, muito tempo.

Poderia até perguntar a mim mesma se fosse jovem: será que ainda sei escrever? Mas, nem isso, a idade me permite. Sou a escrita. Tá impregnada em mim. Por isso, parei. Não posso sê-la…Quem disse? Já não importa. Sinto que ao sê-la não sou. Eis, o vazio.

Houve um tempo que essa subjetividade me entusiasmava. Sentia prazer em perceber o enigma e ir dançando na escrita comigo mesma, num gozo egóico, quase sem fim. Ai reconheci o egoísmo, vi o mal que ele provoca e parei.

Não voltei ainda. Tô muito vazia para escrever…mas já é hora! A missão me chama. É diferente do que aprendi a fazer nos 20 anos de jornalismo ou do que fiz nos meus 8 anos de ativismo: preciso me desprender da escrita pra ser objetiva, ou clara.

A idade exige essa distância de mim mesma para que eu possa, acima de tudo, servir. Ver o ser que está por vir em mim e para servir o público, que ainda não enxergo. Ou não quero aceitá-lo.

Sinto muito. Existem dores da profissão, exposição, ação. É fácil ter voz, difícil é aceitar o eco ou a não-escuta. Por isso, o tempo. Quero voltar: por mim e por todas as mulheres que vieram antes e que virão depois. Sim, eu sou!