As Grandes Fases

A estrada é a primeira e provavelmente a mais citada em outros escritos. Uma rodovia sem fim cercada por solo de terra amarela e com vegetação seca e rasteira, o céu é limpo, assim como minha mente, mas não paro de caminhar, mantendo sempre o olhar no horizonte que têm sua imagem deformada pela alta temperatura.

A segunda fase é o espaço, definida exatamente por “um vazio cheio de matéria”, como já foi descrito em outro texto, sempre com algo de milhares de anos prestes a explodir. Abriga os momentos de insanidade, as supernovas de raiva e frustração, a devastação visível, a libertação.

O lago é o que vêm depois, pacato como a estrada, mas de um jeito bom, a tranquilidade após o caos do espaço, lá eu me encontro submersa em uma serenidade temporária, bem lá no fundo pra escapar das perturbações na superfície. Para muitos essa fase seria a da covardia, não posso negar que é uma fuga, porém um mal necessário.

A última e recém-concebida fase é o barco em alto mar, a etapa de real plenitude, bem parecida com o lago, mas agora não estou fugindo de nada, sou intocável, a única coisa que me alcança é a luz do sol, à deriva, longe de tudo e todos é onde a minha paz faz morada. Fase visitada somente uma vez, de difícil acesso, mas que me faz sentir gratidão por cada raio de sol que encontra minhas células, talvez a etapa mais agradável. Espero que eu vá navegar mais vezes.

LIS – 26/07/2017

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