UM SÁBADO COMUM

Estava voltando de um dia atarefado. Era sábado. Nessa época eu acordava 5:30 da manhã para ir a dois cursos que eu fazia no Rio. A viagem levava quase duas horas. Porém, não estou escrevendo essa merda para contar isso, basta dizer que o conteúdo apresentado nesse dia foi estranhamente interessante. Eram 17:24 da tarde e eu tinha acabado de chegar na Central. Passei pela roleta e fui em direção a plataforma do Japeri. Entrei no primeiro vagão e fui andando até o terceiro, onde havia o primeiro lugar vago que encontrei. Ao meu lado, haviam duas amigas que estavam conversando. Uma delas bebia uma Coca-Cola e ficava dando sorrisinhos de 2 em 2 segundos. Já a outra, assim que bati o olho, fiquei até embasbacado. Era uma das mulheres mais lindas que eu já havia visto. Ela tinha um cabelo encaracolado que ia até os ombros e um pano estampado servindo como tiara. Sua pele era de um moreno claro, sensual e espirituoso. Sua face reunia lábios carnudos e vermelhos com olhos estreitos. Porém, a coisa que mais amei nela foi uma pinta grande que ela tinha no ante-braço. Desde a Central, fiquei pensando uma forma de aborda-la sem ser inconveniente ou escroto. Houveram momentos em que estive prestes a iniciar uma conversação, mas por covardia, resolvi selar um pacto comigo mesmo. O pacto consistia em: se ela não saltasse até Deodoro, iria aborda-la. Se saltasse, iria esquecê-la e não pensaria mais nisso. Ela saltou em Madureira e eu nunca mais a esqueci.