O desempenho de sua equipe reflete como você é.

Foto: Nenê Lazzari

Uma coisa deve ficar clara: antes de traçar uma estratégia de marketing para conquista de mercado, deve-se traçar um plano para conquistar sua equipe, colocá-la em sintonia e cumplicidade com aquilo que você deseja implementar.

Mas isso não se faz com discursos e não são aceitos artifícios. Toda empresa traz, em si, a filosofia do dono, ou seja: sua empresa é a sua cara e isso não dá para disfarçar. O executivo ou principal responsável por uma empresa não tem como exigir que as pessoas sejam simpáticas e amáveis, se ele mesmo não é. Como exigir gentileza de alguém, se você próprio é intolerável? Como ter um ambiente leve, agradável se você traz de casa os problemas e despeja seu mau humor no primeiro funcionário que encontra? Como fazer alguém trabalhar se você é adepto ao ócio?

Por isso, fique atento: antes de discutir estratégias e planos posicione-se, crie um clima favorável de trabalho e, acima de tudo, esqueça os discursos e palavras. Longe de ser acadêmico ou de querer passar fórmulas mágicas e receitas infalíveis, seguem algumas dicas para que você seja considerado um exemplo dentro de sua organização.

Evite ser café-com-leite

“Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito”. Esta citação é bíblica. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudicéia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, a indolência. Dê à sua vida uma versão literária interessante. Faça, erre, tente, lute. Mas, não jogue fora, se acomodando, a rara oportunidade de ter vivido. Agir assim é um bom exemplo para seus subordinados.

Seja otimista e estimule as pessoas

O otimismo é contagiante e as pessoas competentes são aquelas que conseguem manter uma postura positiva mesmo nos momentos mais difíceis. Cultivar o otimismo vai estimular, também, a criatividade e encorajar as pessoas a falar sobre suas idéias. Quem contaria seus projetos a um pessimista?

Todos têm algo a acrescentar, portanto aprenda a ouvir. As agências de propaganda estimulam ‘group discussions’ onde os participantes podem falar livremente, sem bloqueios. Mesmo que 99% do que está sendo discutido seja bobagem, o processo de criação é assim: um faz escadinha na idéia do outro e mesmo as idéias, que a princípio parecem absurdas, podem revolucionar o mercado.

Mau humor prejudica os negócios

Alguns empresários acham que a seriedade está relacionada ao fato de parecerem sóbrios e formais. Querem mostrar com isso que não estão para brincadeiras, mostram que não têm senso humor. Humor está relacionado à inteligência (já viu algum idiota contar uma piada inteligente?) e não colide com seriedade. Ser sério é respeitar horário, compromissos e estar disposto a resolver problemas e a não evitar tarefas ingratas quando necessárias. Ser rápido nas decisões e não deixar ninguém esperando é ser sério. Não ria feito bobo, mas não sonegue um sorriso. Além do mais, sorrir significa saúde. O sorriso fortalece as defesas do corpo. Shakespeare certa vez disse: Não há nada mais gratificante do que ter um companheiro de trabalho divertido.

Não priorize o dinheiro

A empresa que pautar seu caminho objetivando o dinheiro, dificilmente realizará grandes feitos. Um empresário ou executivo tem que estar fascinado pelo realizar, assim o dinheiro virá como conseqüência. Os grande feitos da humanidade não foram motivados pelo dinheiro. Michelangelo não levou 16 anos pintando a capela Sistina por dinheiro. Mostre aos seus funcionários que você, antes do dinheiro, valoriza a conquista, os ideais, as idéias.

Evite formalidades

Formalidades e burocracia significam perda de tempo. Existem empresas que fazem uma verdadeira guerra de memorandos pra nada. Estimule que a pessoa saia de seu departamento e vá resolver pessoalmente suas dúvidas com a outra. Evite mensagens, ‘intranet’ e outras bobagens que tornam a comunicação fria, formal e premia os burocratas.

Deixe a burocracia para as autarquias e repartições governamentais. Nós pagamos uma conta alta por isso. Aliás, penso que corremos o risco de vermos os burocratas dominarem esse planeta e que seremos suas vítimas merecidas porque não fazermos nada contra eles. Ser formal significa ser antiquado. Isso não quer dizer que você vai cumprimentar clientes batendo no ombro e dizendo “E aí cara?” Mas também não precisa começar suas cartas com “Vossa Senhoria”.

Trate bem seus fornecedores

Em muitos anos assessorei empresas onde os compradores exercitavam sua autoridade nos fornecedores. Uma burrice revoltante. Chá de cadeira era comum. Pois bem, se você atender mal os vendedores, quando eles tiverem na mão um negócio da china, uma oportunidade real, eles vão dar o troco! Vão direto ao seu concorrente. Trate-os com dignidade e respeito, não os faça esperar, se possível reserve-lhes vagas no seu estacionamento. Assim, os bons negócios chegarão primeiro à você. Ensine seus compradores que sua empresa não vive exclusivamente de clientes, vive de bons negócios e que você não pode permitir que eles cheguem antes no seu concorrente.

Se você perceber que seu funcionário não atende um fornecedor convenientemente, seja duro com ele. Se reincidir, demita-o, lembre-se que são os fornecedores que dizem ao meio o quanto sua empresa é simpática ou não, é a sua imagem que está em jogo.

Trabalhar é para quem gosta

Lembre-se: trabalho não deve significar penitência, nem pra você e nem para quem trabalha pra você. Então, dê o exemplo. Mostre que você gosta do trabalho, que você se dedica e ama o que faz. Trabalhe duro e você estará contagiando todos a seu redor.

Ao contratar alguém, observe se essa pessoa não passa de um analista da vida alheia, um comentarista do dia-a-dia, dessas pessoas que vivem a dizer: “eu não disse, eu sabia”. Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados, dos talentos injustiçados. Empresários de mesa de bar.

Eu cansei de ouvir, por exemplo, artistas e músicos falarem que seu talento não é reconhecido no Brasil, que lá fora seria diferente. Puro engano. Nas calçadas do Soho vê-se gente tocando e cantando como verdadeiros virtuoses. Pessoas assim não produzem no Brasil e lá fora não teriam um lugar nem na calçada, portanto não servem para trabalhar com você. Elas fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas na segunda não sabem concretizar nada.

E, finalmente, esqueça os pessimistas, as crises, o dólar, as mudanças de governo. Afinal, quem nos últimos 40 anos de vida economicamente ativa, neste País, conheceu estabilidade duradoura?