Afinal
Notícias corriam soltas de que o mundo acabaria,
Que era o final dos tempos e tudo sucumbiria.
Seria verdade inteira, seria meia verdade,
Seria falso o alarme, seria assim sem clemência…
Só pra vender indulgência?
E então, passou o tempo sem tempo para o lamento,
Sem nenhum tremor de terra, senão os habituais,
Daqueles tão circunscritos, que se tornaram banais,
Tão banais quanto outros males, inundando noticiários,
Fazendo-nos refratários à ideia de que a vida
É dádiva preciosa pra quem quer fazer sentido.
Portanto, ficar atento e com a intenção imbuído
De viver, dia após dia, fazendo sempre por onde,
Semeando o que há de bom e amando,
Porque amor é algo que não se esconde,
Tudo nele está implícito, isto é,
Tudo que vale a pena e ilumina,
Seja mostrando caminhos
Ou prevenindo tropeços,
Além de operar a magia
De animar recomeços.