O meu pecado no pecado dos outros

Olá, querido leitor! Antes de iniciar a reflexão de hoje, gostaria de desejar-lhe meus votos para este novo ano que se inicia. Primeiramente, que você possa habitar na presença do Senhor durante estes 365 dias que seguirão e não só neles, mas por todo o restante de sua vida. Que você seja perseverante na fé, que agradeça as bençãos advindas Dele tendo noção de que não é merecedor de nenhuma delas, que aprenda e seja moldado com cada dificuldade e sofrimento, tendo fé e esperança de que tudo aqui é momentâneo e que em breve estaremos na presença de Jesus, e que a cada dia você conheça ao Senhor mais e mais.

Sabemos, como cristãos, que servir a Cristo implica a ter uma vida em santidade. Como Pedro diz em sua primeira epístola, Capítulo 1 e versículo 16: “Como está escrito, sede santos, porque Eu sou santo”. Logo a santidade não é um conceito novo para aqueles que já estão no evangelho já há algum tempo.

O Cristão que procura guardar a sua santidade tem que estar sempre atento a tudo que faz. O “Vigiar” é imprescindível para nos afastarmos da nossa natureza pecaminosa, que é implacável no que diz respeito a nos colocar em tentação a todo o tempo. Somente através da ação libertadora de Cristo é que, através do Espírito Santo, somos capazes de não pecar, e para cada pessoa isso significa resistir e fugir de um pecado diferente.

No primeiro capítulo de Romanos, Paulo está falando de pessoas que, apesar de Deus se revelar através da criação, preferiram ignorar o Criador e então foram entregues as suas próprias concupiscências. Então, precisamente entre os versículos 29 e 31, ele cita uma lista de pecados que estavam sendo cometidos por estas pessoas que, devido a ira de Deus, haviam sido abandonadas para as suas próprias paixões:

Estando cheios de toda a iniqüidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade;
Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães;
Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;
Romanos 1:29–31

E após esta lista nada leve de pecados e ofensas a santidade de Deus, no versículo que se segue, ele coloca um tipo de pessoas no mesmo nível destes que cometeram todas estas coisas

Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.
Romanos 1:32 (ênfase do autor)

Percebemos neste versículo dois tipos de ações:

1°: Praticar tais coisas
2°: Consentir com os que praticam tais coisas

No original grego, a palavra traduzida para consentem é συνευδοκοῦσιν (suneodokeo) que, além do significado de consentir, também pode ser traduzida para concordar ou solidarizar-se, o que nos traz uma importante lição sobre este versículo.

Paulo, neste versículo, coloca no mesmo patamar (ou seja, “que são dignos de morte”) tanto os que praticam quanto os que concordam, solidarizam-se e consentem com estas práticas citadas em Romanos.

E aqui quero trazer uma reflexão para você leitor: Nós cristãos, estamos inseridos num mundo secular. Precisamos trabalhar, estudar, viver em sociedade, temos relacionamentos com pessoas que não compartilham a mesma crença e, consequentemente, criamos vínculos afetivos, profissionais, casuais, entre outros, com estas pessoas. Não quero criticar estes vínculos, pelo contrário, o cristão está inserido no mundo, e precisa se relacionar com as pessoas dele. Mas até que ponto nós estamos confundindo estar se relacionando com estas pessoas com concordar com práticas que vão de encontro aos ensinos da bíblia?

Repare que não estou dizendo para cortar relações com amigos e muito menos ligar pra ele nesse exato momento pra jogar na cara seu pecado. Mas em um contexto onde seja necessário se posicionar em relação ao pecado das pessoas com as quais convive, o cristão deve sim explicitar o ensinamento bíblico para tal prática, mesmo que em detrimento do relacionamento com determinado indivíduo, independente da natureza dele.

Cristo nunca consentiu com prática pecaminosa alguma, e no entanto, vivia em meio a pecadores. Se o cristão não se posicionar contra o pecado alheio, e sim solidarizar-se dele, que valor tem a mensagem do evangelho transformador? Ele iria transformar o que?

É necessário, além de buscar a própria santidade, não consentir com o pecado alheio. Concordar com a falha de outrem é quase tão grave quanto o pecado que foi praticado.

No entanto, é necessário discernir o “não concordar” do “acusar”. Temos muita facilidade em julgar o nosso semelhante, principalmente porque isso na maioria das vezes evidencia a nossa “santidade” (diga-se de passagem, uma senhora de uma contradição, já que ao fazer isso, mesmo que neguemos veementemente, evidenciamos o nosso orgulho, outro pecado grave).

Em Mateus 7 está escrito:

Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?

Logo, temos que buscar aconselhar a luz da bíblia, e isso implica em não trazer nenhum mérito pra si. O homem que aconselha um pecador, antes de mais nada, precisa estar ciente de sua posição também de pecador, e humilhado na presença de Deus, trazer a luz bíblica sobre o assunto. Aconselhar não significa acusar a pessoa a que você se dirige, este papel já é muito bem feito pelo perseguidor de nossa alma, e é justamente deste tipo de acusação que Cristo nos liberta. Mas, se possível, se aproveite desta brecha para levar o amor e a graça de Jesus para quem quer que esteja falando, já que ele é o único exemplo a que todos devem seguir, e para não receber nenhum mérito para si, uma vez que:

É necessário que ele cresça e que eu diminua. — João 3:30

Espero que esta reflexão tenha ajudado o leitor em sua caminhada de fé.

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Fique com a graça e paz do Senhor.