Botecário #2: Bar do Dante

Ouço algo arrastando no chão: é a cadeira que você puxa para se sentar. Abro o cardápio e reclamo do preço do pão com bolinho, que era dois e cinquenta uns anos atrás. Pergunto qual cerveja vamos tomar e você diz que nenhuma, está tomando antibióticos. Esse esquenta-esfria do verão curitibano, sabe como é. Levanto a mão e chamo o Rafa — o garçom — e peço uma cerveja e dois rollmops. Você se enrola e ele se vai, falando que logo volta para anotar o seu. Rollmops?, você pergunta, e defendo o sushi brasileiro, a melhor combinação entre cebola e peixe.

Você reclama do granito frio ao apoiar os braços sobre a mesa. Eu preferia lá fora, nas mesas de madeira sobre a calçada, mas seria ruim para sua garganta. Garganta?, você esquece a desculpa para não beber e disfarça girando os olhos, vê o Dante atrás do balcão; o pai dele perto da porta, reclamando do Coxa; e um grupo de engravatados no happy hour, com os crachás sobre a mesa.

O Rafa volta com a cerveja e os rollmops, pego um e empurro o outro em sua direção. Você diz que não, eu insisto. Você põe o rollmops na boca e puxa os palitos que seguram a iguaria, morde e sente a textura do peixe e o amargo da cebola, sua boca se amarra. É estranho, é bom, e é estranho de novo. Você precisa gelar a goela, pega a minha cerveja e toma de um gole. Você ri e diz que a cerveja desce ainda melhor. Concordando, eu respondo: e a garganta?

Quer voltar e provar o pão com bolinho? Recomendo.

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