“Não somos um movimento bovino como são alguns de esquerda”, diz líder do MBL no Mato Grosso

Há mais de cinco meses agindo ativamente em Cuiabá e outras cidades mato-grossenses, coordenadores do MBL observam o que está acontecendo a nível federal, estadual e municipal.

Desde que o Movimento Brasil Livre (MBL) começou suas atividades no Mato Grosso, em dezembro de 2016, os grupos de interesse político contrários à liberdade começaram a sofrer forte oposição. Os vereadores de Cuiabá e aqueles contrários a Uber na capital mato-grossense perceberam que havia quem batesse de frente com suas decisões.

Quando a ex-presidente Dilma Rousseff foi definitivamente afastada do cargo, muitas pessoas acreditaram que não se faria mais manifestações contra a corrupção. Julgava-se a agenda do MBL ser unicamente de “tirar o PT do poder”, enquanto o partido representa apenas uma parcela do problema em todo o país. Contrariando as expectativas, quatro manifestações foram organizadas em diferentes datas ao longo destes sete meses em todo o país.

Fora dos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a população sentia falta de vozes para protestar contra as injustiças em seu próprio círculo. O empresário Eduardo Borges levou a marca MBL para Cuiabá para ser a voz indignada da população contra as medidas pouco sábias dos governantes.

Coordenador estadual do MBL no Mato Grosso, Eduardo assegura que eles não são “base do governo Temer”. “Você não vai ver o MBL gritando bovinamente ‘Fora,Temer’ como alguns movimentos aí fazem”, diz ele. De acordo com Eduardo, o MBL estuda projeto a projeto do atual governo, critica os que devem ser criticados e apoia aqueles que forem melhores para o povo.

Salário dos vereadores e Uber

Nem bem começaram a operar, os coordenadores do Movimento Brasil Livre se destacaram ao criticarem o repentino aumento salarial dos vereadores em Cuiabá. Lucas Bellinello, um dos coordenadores do MBL-MT explicou a manobra parlamentar no fim de dezembro passado. “Magicamente, os vereadores de Cuiabá se reuniram na última semana para trabalhar. Como isso é surreal nessa época do ano para eles, é lógico que a gente poderia esperar coisa ruim. Eles iriam votar no aumento dos próprios salários e do prefeito”.

Do dia para a noite, o salário dos vereadores passaria de R$15 mil para R$18,1 mil, um aumento de 26%. Por vídeos postados no Facebook e ações na rua e na Câmara Municipal de Cuiabá, o MBL ajudou a formar a intensa rejeição ao aumento. No dia 10 de janeiro, dias depois da votação, os vereadores arquivaram o projeto.

A empresa Uber ajudou dezenas de milhares de famílias na maior crise econômica da história do Brasil. Grande maioria dos motoristas cadastrados no aplicativo de carona paga são pessoas sem emprego registrado. A Uber começou a operar em Cuiabá em novembro de 2016 já com 200 motoristas. Atualmente o número é bem maior, embora não se divulgue quantos são.

Assim como em todas as outras cidades onde há motoristas de Uber, os taxistas agiram contra o aplicativo e os políticos favoráveis às cooperativas de táxi logo se mexeram para barrar a iniciativa. Em Cuiabá não foi diferente.

Vereador Felipe Wellaton (PV) discursou na Câmara apoiando o aplicativo Uber, defendendo a sua não regulamentação. “O Uber é um aplicativo que fomenta concorrência. Se a gente regulamentar, a gente vai criar uma nova classe de taxistas”, disse o vereador em uma sessão do último dia 14 de março.

Wellaton se posicionou bravamente em favor de um Estado mínimo, apoiado pelo MBL em Cuiabá. “As relações comerciais são dinâmicas, as necessidades dos consumidores são ágeis, a regulamentação do aplicativo vai prejudicar a agilidade dos serviços.”, ele declarou.

Atualmente, o Movimento Brasil Livre possui cerca de 20 núcleos abertos em diversas cidades de Mato Grosso e espera-se que este número suba para 50 até a metade deste ano.

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