O Quarto Passageiro

Era 6 de agosto de 2016, acordei antes do sol, tomei um copo de leite, coloquei o meu notebook na mochila e sai para buscar os meus amigos Gabriel Jacquier e Mike Lima. Não seria um sábado típico, estavámos indo para uma Hackathon em São Paulo.

A Hackathon da GS1

A GS1 é uma empresa que define os padrões de códigos de barras adotados no mundo todo, aqueles códigos pretos que ficam nos produtos e que a moça do caixa sempre usa, são definidos por eles.

Eles organizaram uma maratona de 24 horas, no qual os participantes tinham que criar soluções utilizando os padrões GS1.

Nossa equipe era composta por 4 pessoas, eu, Gabriel, Mike e Felipe Bernardes.

Elaboramos uma solução para o segmento farmacêutico, a ideia basicamente era um sistema de leilão reverso, no qual as pessoas que precisam comprar um remédio, enviam um pedido de orçamento para as farmácias próximas e elas enviam de volta um orçamento com o valor dos remédios solicitados, assim o cliente poderia escolher qual lhe atenderia melhor, sem sair de casa.

Depois de 3 horas discutindo, 17 horas programando, 4 horas ensaindo para a apresentação, ganhamos a maratona. Foi um experiência muito boa para todos do time.

O prêmio era uma viagem para Zurique, Suíça, para participar do HackZurich, a maior Hackthon da europa que ocorreria em 40 dias.

Felipe Bernardes, Mike Lima, Eu e o Gabriel Jacquier

O Passaporte

Agora precisavamos preparar a nossa documentação, os quatro não tinham o passaporte em dia, eu precisava renovar o meu e os meus amigos precisariam tirar o primeiro passaporte deles. Juntamos todos os documentos necessários para tirar os passaportes, mas o Gabriel teve um pequeno problema, ele não tinha título de eleitor e não estava em dia com o exército.

Dê início não parecia um problema, era só ir lá e tirar o título, mas como estavámos perto das eleições, não era possível emitir um título antes de 150 dias das eleições, parecia que um dos participantes não poderia ir, pois não conseguiria o passaporte. O que fazer ?

Partimos para a polícia federal, perguntamos para eles o que poderiamos fazer, nos disseram que era impossível sem o título. Tristes, partimos para o cartório eleitoral da cidade, explicamos a situação, mas não era possível emitir o título perto das eleições. Voltamos para a polícia federal, explicamos a situação, e novamente, a mesma resposta, não era possível, insistimos, eles nos disseram para tentarmos na defensoria pública.

Partimos para a defensoria pública, pegamos uma fila de 2 horas, escutaram a nossa situação e nos disseram para ir para a defensoria da união. Partimos para lá e novamente nenhuma solução para o problema, voltamos para a polícia federal, nos disseram para tentarmos com um advogado particular, solicitando uma liminar para emitir o passaporte sem o título de eleitor.

Procuramos um advogado que não nos prometeu conseguir, mas que tentaria. Depois de muitas idas e vindas na polícia federal, junta militar e conversas com o advogado, conseguimos emitir o passaporte faltando 15 dias para a viagem. No final deu tudo certo.

Depois de muita insistência conseguimos!

Teve muitos momentos que achei que não iriamos conseguir tirar o passaporte do Gabriel, tivemos que tentar muitas alternativas. Mas foi uma experiência muito importante para mim, percebi que com persistência conseguimos conquistar as coisas mais díficeis, às vezes um "não" significa apenas que aquele caminho não vai dar certo, mas existem outros caminhos para tentarmos.

Também percebi depois que voltamos de Zurique que a viagem não teria sido tão boa, se o quarto membro não tivesse ido. Seria uma viagem incompleta sem o nosso quarto passageiro.

Nossa mesa no HackZurch em Zurique, Suíça