72 motivos

O orgulho em compartilhar a frase: comigo é assim, preto no branco. É oito ou oitenta. Pessoas com esse pensamento geram segurança, afinal, supostamente são decididas e sabem o que querem. Não há espaço para a dúvida.

Vou pegar um exemplo: uma pessoa está a fim de outra. Se conhecem, flui e surge o namoro. Passa um tempo, as coroas caem do cavalo e descobre-se os defeitos. Não dura muito tempo após isso surge o #NãoSouObrigado e acabam o namoro. Afinal, conviver com a imperfeição é complicado. Levanta mão quem conhece alguém que nos primeiros defeitos caiu fora?

Aí vai mais um: uma empresa que tem sua equipe produzindo, pegando junto, fazendo de tudo para acontecer e uma pessoa mal intencionada, com acesso, resolve cometer desvios financeiros. Ao descobrir decide-se burocratizar todas as etapas de trabalho e todas as decisões que refletem em pagamento necessitam de no mínimo três assinaturas de diferentes diretores. No final, o pegar junto e fazer a coisa acontecer é seguir processos #audiotria

E o meme “você é nutella ou raiz?” Ou você se encaixa numa definição ou só em outra. #SóDuasOpções

Sem discorrer muito mais, esse é o ponto da minha reflexão: o extremo. E parece que isso é um vírus espalhado pela tubulação do mundo. Aqueles que não conseguem lidar com os direitos humanos, achando que proteção de preso é coisa de Maria do Rosário, acreditam que só o Bolsomito vai salvar. Se não controla o tráfico de drogas, legaliza. Se a democracia não der certo, vamos militarizar. Se não sabe andar de carro tão bem quanto eu, tira a carteira. Se não consegue dormir, remédio tarja preta. Se não der certo…. extremo!

É totalmente consciente pra nós os opostos. Nosso cérebro sabe que o oposto de branco é preto. De liberdade é prisão. De feliz é triste. De novo é antigo. De digital é analógico e assim por diante.

Sendo assim, quando surge algo diferente, nosso mecanismo de defesa nos afugenta para um lugar seguro. O nosso cérebro faz de tudo para buscarmos um local conhecido. E por isso, quase por naturalidade, caminhamos nos opostos e nos cegamos por tudo que tem no meio.

Faz tempo que me propus a uma reflexão que o mundo não é grenalizado e que nossas relações com as coisas e pessoas não precisa ser tão preto no branco. Ou oito ou oitenta.

Eu aprendi muito. Descobri uma quantidade enorme de verdades e aprimorei a tolerância e uma maior facilidade em conviver com pessoas com pensamentos e atitudes diferentes da minha. E cada dia que passa vejo que essa luta é constante, pois o cérebro vai no automático e cada dia preciso ressignificá-lo para aprender mais opções além daquelas duas extremas que ele sugere de inicio.

Sendo assim, para emitir uma opinião e para tomar uma decisão, hoje sou mais cautelar. Avalio simbolicamente que tenho 72 possibilidades e não somente os oitos e oitentas.

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