Por que o CFP não se ocupa de algumas pautas urgentes? (Ou: O CFP como ferramenta política)

O CFP é um desses a puxar uma das cordas.

Hoje quero lhes trazer uma situação diferente, da qual eu conheço um pouco a respeito.

Trata-se da situação dos surdos brasileiros. Quando nascem de pais ouvintes, enfrentam um verdadeiro martírio. Sua maioria vive a história do “Patinho Feio”. Seus irmãos e sua família não o entendem, ele se sente excluído, muitas vezes a família não aprende a Libras, enfim. Até a família mais esclarecida descobrir a Libras e todas as possibilidades de ele ser um adulto saudável, a infância já passou.

Aquela troca de amor desde o nascimento muitas vezes fica prejudicada, trazendo inúmeras consequências, das quais eu como junguiano, posso descrever e disponibilizar para vocês meu trabalho a respeito. Enfim, este não é o foco.

Os surdos crescem e enfrentam a dificuldade da sala de aula sem Libras, sem intérprete, muitas vezes não conseguem se matricular em uma escola bilingue.

Agora eu gostaria de saber o que o Conselho tem feito a respeito. Campanha? Não. Nenhum tipo de divulgação, nenhum tipo de conscientização às famílias, ou uma campanha voltada aos próprios psicólogos sobre a existência deste público, ou nada contra o engodo das empresas de aparelhos auditivos e implantes cocleares, médicos e fonoaudiólogos desinformados… nada.

Para piorar mais a situação, em suas publicações no Facebook, no Youtube, no site etc. não tem colocado intérpretes de Libras nem legendas para que os próprios psicólogos surdos tenham acesso. Sem falar nos cegos, que não tem áudiodescrição nem descrições das imagens nas postagens do Facebook. Por outro lado, investem pesado em outras campanhas sociais que envolvem indígenas, LGBT, negros etc.

Então por que o Conselho se ocupa de um e se desocupa do outro? Não são os surdos merecedores da tal correção social, para lhes pagar os danos que causamos a todos durante o período após o Congresso de Milão, que os obrigou a serem oralizados por mais de 100 anos no Brasil? E não temos uma dívida social com eles por desde os anos 1500, por não fazermos nada para lhes fornecer uma vida digna?

Pois bem. Na minha opinião, o Conselho não deve mesmo fazer campanhas para surdos. Também não deve fazer nenhuma campanha.

Por que?

Porque um conselho profissional não consegue abarcar toda demanda da sociedade. Há tantos problemas, como a questão dos cegos, dos que sofrem abuso sexual, do meio-ambiente, dos imigrantes etc. E fica injusto focar um público e não focar o outro. Uma autarquia de conselho profissional deveria somente supervisionar e orientar a profissão. Campanhas deveriam ser foco de Ongs ou de Associações de Psicologia, que são várias, dando o CFP um apoio formal e divulgando.

O que quero dizer aqui é que não se deveria usar a máquina pública para fomentar campanhas. É papel dos psicólogos, das universidades e das instituições em geral fazer este tipo de trabalho, estes sim, contando com o apoio do Conselho.

Para finalizar, eu deixo uma pequena dúvida: Por que o Conselho tem se ocupado destas pautas? 
Respondo: Porque são carros chefe de uma ideologia à esquerda. Tocar nestes assuntos é regra para todos que são adeptos das correntes marxistas. O problema é que todas as outras questões ficam a mercê da própria sorte. E vejam só, o Conselho vem discriminar surdos, cegos e todo tipo de público com esta atitude retrógrada.

Façam um favor a todos os psicólogos, Conselheiros. Deixe de usar nosso dinheiro e nosso Conselho como ferramenta política. Ficaremos imensamente agradecidos se fizerem o trabalho que lhes foi incumbido pela Lei. Cuidar da profissão.

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