Psicologias

Não existe uma Psicologia. Apesar disso, o CFP age como se houvesse.

Vez ou outra, as notas do CFP evidenciam um equívoco comum: o de escolher uma abordagem para falar por todo corpo de psicólogos.

Além das inúmeras abordagens, temos nosso olhar pessoal através de cada uma delas. O Conselho tende sempre a deixar de lado uma parcela significativa do corpo de psicólogos.

Recentemente, foi lançada uma nota sobre a crise policial no Espírito Santo.

Além de querer dizer o que as partes envolvidas devem ou não fazer, e comentar sobre um assunto desses, sendo que a própria profissão encontra-se descuidada, os editores se aproveitaram do evento para colocar um tanto daquela tal ideologia que a gente conhece faz tempo.

Acreditamos também que é nosso dever profissional contribuir com pensamento crítico para a compreensão do fenômeno e para a construção de uma cultura e uma subjetividade que persigam o bem comum, a paz e a justiça.

Ok. Então deixa com a gente. Isso não é tarefa de uma autarquia. É tarefa para a academia, e para os diversos espaços que os Psicólogos ocupam. É sempre bom lembrar que, como autarquia federal, como conselho profissional, sua função é regular e organizar a atividade profissional.
É só isso.

Como autarquia, será impossível emitir notas e opiniões que façam todos os psicólogos concordarem. Veja agora o seguinte trecho que exemplifica o que eu digo:

O CFP se solidariza com o povo do Espírito Santo, especialmente com as psicólogas e psicólogos que sofrem nessa crise, mas também no cotidiano da violência, inclusive nos seus aspectos subjetivo e simbólico.

Até onde eu sei, para um behaviorista, por exemplo, não existe essa questão de símbolo da forma como trazem. E fica aqui minha dúvida: até quando vão anular parte daqueles que querem reconhecimento?

Deixo aqui minha sugestão: não publiquem mais notas. E se ousarem (e ousar é ótimo) lançar uma, que tenham o cuidado de não expressar nada que venha a apagar milhares de psicólogos através de uma escolha de abordagem. Nós agradecemos.

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