Sobrevivi ao trailer de “Polícia Federal — A Lei é para Todos”

Dos dois filmes feitos para comemorar os vencedores de abril de 2016, o primeiro, que foi resenhado por nós, fracassou espetacularmente na bilheteria. Isso traz ainda mais pressão sobre o segundo, que tem que ser crível para seu público-alvo e bem-sucedido na bilheteria. É em cima desse quadro que aparece o trailer de “Polícia Federal — A Lei é para Todos”.

A naturalidade e a expressividade de Flávia Alessandra ao nomear a Operação Lava-Jato

O trailer começa dando um susto nos espectadores, com uma versão ensaiada demais e lamentável demais até para os (baixos-Globo-Filmes-style) padrões do cinema comercial brasileiro de uma operação de apreensão de drogas pela Polícia Federal.

Mas logo o rio volta ao seu leito: frases de efeito retiradas de alguma manifestação verde-amarela, clichês do antipetismo (“não estamos perseguindo partido”, “até já votei neles!”), diálogos retirados de propaganda de cursinho pra concurso da Polícia Federal e glamurização excessiva da corporação (menos da Polícia Federal em si e mais do corpo de agentes e delegados).

E a força do trailer é a fraqueza do trailer: o chapabranquismo extremo certamente vai agradar e somente vai agradar aos já convertidos, mas não funciona como entretenimento porque o chapabranquismo, venha de onde venha, não funciona como entretenimento; neste ponto, o trailer do filme do Plano Real é bem mais agradável de se ver por causa do entretenimento involuntário. E o thriller prometido pelo diretor ao Omelete… bom, quem está preocupado com isso? Ao que parece, nem o diretor, imagina o produtor…

Em termos de atores, Flávia Alessandra incorpora a figura da agente gata e já espero ela fazendo alguma propaganda da associação de policiais federais, Antônio Calloni aparece demais no trailer e não consigo formar uma opinião sobre isso, Ary Fontoura não aparece e não sabemos o seu nível de caricatura-desenhista-que-pensa de Lula, e não é possível analisar se Marcelo Serrado ensaiou direitinho as caras e bocas de Sérgio Moro.

E prometem uma trilogia. Pelo andar da carruagem, quando rodarem o terceiro filme já terão fechado a DPF, o MPF, a Justiça Federal e até o Facebook.

Ainda bem que o filme do Bozo estreia um pouco antes.

PS.: Obrigado Pablo Casado!