Engolidos pelo amor da plateia, Apanhador Só fecha tour em Curitiba

Há pouco mais de um ano, o Apanhador Só finalizava uma das campanhas de crowdfunding mais inventivas ever. Com 77 mil reais arrecadados diretamente do bolso de seus fãs, eles prometiam custear uma turnê nacional se apresentando não em casas de shows, mas em salas de estar, nas casas de pessoas comuns. A verba incluía a compra de um carro para ser usado no transporte da banda durante a tour. Deu tudo certo. Os gaúchos conseguiram não 77 mil, mas pouco mais de 100 mil reais e fizeram a tour. Agora este carro está à venda e a grana que vier do carro vai ser usada pra gravar o próximo disco. Interessados falem com a banda. Imagina, um carro que rodou o Brasil inteiro levando uma banda, em breve, poderá te levar todos os dias para o trabalho, para a padaria, pegar as crianças no colégio.

O derradeiro show da turnê rolou dia 16 de julho no Arnica Cultural, o espaço da turma do Trombone de Frutas que está aproximando o público curitibano de uma música brasileira fina e atual. O Apanhador Só não é uma banda que eu tenho de cabeceira exatamente. Mas gosto de aceitar os desafios do Abonico (editor do Mondo Bacana) quando eles aparecem porque me tiram da inércia, me ajudam a sair de casa, ver gente e, acima de tudo, acompanhar uma certa casta do pop rock brasileiro que não é mais “nova” mas que continua sendo nova pra mim. Enfim, andei voluntariamente desconectado desse universo por um tempo. Andei, na verdade, um pouco sacudo da receita pop-banjo e vocal gracioso que invadiu as rádios como um tsunami radioativo sorridente. Sorry, não curto mesmo, me exaspera. Peace. Enfim, que bom que o Apanhador Só não segue essa linha sorrisos. Uma banda absolutamente presente no palco e, acima de tudo, com uma relação muito estreita com os fãs, bonita mesmo de se ver.

O fato é que enquanto escrevo esse texto, estou dançando. Sou a gótica de calça de couro no canto do Arnica que faz movimentos bruscos ritmados. Me sinto um pouco à parte, mas estou aqui. É facil estar aqui com essa música. O frisson mútuo fã-banda me faz sentir que estou definitivamente em um show de rock. Lembra o primeiro show que fui na vida, também de gaúchos, no caso os Engenheiros do Hawaii na turnê de O Papa é Pop (a turma do Abonico vai tirar sarro disso). A descoberta. Uma banda ao vivo. O momento é bonito. A musica é bonita. A diversidade sonora é real e inescapável. Uma vibe tão, mas tão gostosa.

Teve dois bis. E ainda deu pra bater cabeça.

Originally published at www.mondobacana.com.

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