Como pisar num prego. A dor, a dor num tão distante membro. E soltar os cabelos, tirar o elástico que os envolve em várias voltas e deixá-los cair pelas costas. Deixar o corpo cair na cama de uma altura considerável, deixar o corpo cair, sentir a queda e um medo ligeiro. E tomar banho enquanto pensa, sentir a água levar tudo de sujo, toda a poeira da vida que se acumulou durante o dia. A dor no pé lembra o prego, enquanto lava, o sabão limpa tudo. Vestir qualquer coisa, uma camiseta desintegrada, tão fina de tantas lavadas, tão sua. Um leite sujo de ovomaltine, o leite aquecendo por dentro, lembrando dias antigos, memórias de sabor. Um filme, o mesmo filme, céu de brigadeiro, de baunilha, uma queda. Os pés nas pantufas macias, a pantufa macia no pé machucado, o pé que dói, o prego. Uma dor tão distante, uma dor.

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