Entendimento.

Cavei um buraco no peito, um abismo pra me caber com tudo que sinto, com tudo que quero morrer em mim. Queria ficar sentada dentro, encolhida no canto úmido e sombrio, desacreditando das coisas, desfazendo nós, desmembrando sentimentos feito gomos de mexerica. Parece outra vez que cabe a mim fazer qualquer coisa, mas o dia lá fora está tão bonito e parece sussurrar pra eu esquecer, então não lembro enquanto tomo café, durante a leitura do livro imenso, não lembro enquanto sopra o vento e me empurra pra desmemória.

A cidade pequena parece me cercar com suas ruas e não tenho pra onde fugir. Fui sincera, abri portas e janelas e deixei que me invadisse como o sol nas velhas manhãs de domingo. Louca, deixei que os erros me cometessem, estou agora estendida sobre pedregulhos de coração.

Preciso de mais que palavras para ser capaz de me expressar, os sentimentos todos naufragando dentro, meu dicionário vazio do que dizer, o conhecimento de tudo me arrebatando de uma vez, o súbito clarear de entendimento, a abrupta dor de saber o que eu nunca quis ver.

Mas era sempre você colado na retina dos olhos fechados, era sempre você.

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