Era tanto faz. Era a boca calada desdizendo tudo. Palavras naufragadas. O amor agarrando-se às paredes de dentro, arranhando as entranhas, querendo ficar — parece que nada mais fica.

Ela queria ser outra pessoa em outro lugar, numa país branco e frio, distante o suficiente, talvez outro planeta, girar com as rochas ao redor de Saturno sem nunca precisar respirar.

Passou tantas noites querendo estar errada, mas não, era mesmo tanto faz. No espelho parecia enxergar nitidamente o caminho das lágrimas, por um instante achou que não saberia parar.

Recorreria à velha máscara, atravessaria a ponte dos dias sorrindo, a verdade no canto do olho, um cisco.

Vai passar.

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