Meu fim.

Ele parecia cansado e triste. Usava jeans e uma camiseta ridiculamente comum, que dava a ele um ar despretensioso, uma mentira. De onde eu estava, podia ver suas mãos, um dos dedos seguindo a linha da leitura, o livro no colo, o cigarro no canto esquerdo da boca, o pé balançando nervosamente. Tinha os olhos mais bonitos do mundo, eu não tinha dúvidas. Poderia ficar ali, escondida, o dia todo, assistindo seus movimentos mais ínfimos, fotografando com a memória, os lábios perfeitamente desenhados, os lábios… Ele não combinava comigo, tinha algo nele que o enaltecia, me subjugava. A pele, o desembaraço, as palavras que fluíam sempre eloquentes, os olhos, tudo nele me desmerecia. Mas eu estava apaixonada. O fim. Meu fim.

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