Não tem poesia no celular

Olha com esmero os silêncios no celular, não sabe o que há, o que esperar. Nos lábios o esparadrapo em forma de xis, calada feito um jacarandá. A verdade dormia no ninho em seu peito quente, à sombra do coração. Se alguém prestasse atenção, veria ela corar por vezes aleatórias no trespassar do dia, os pensamentos todos molhados da saliva do homem nu. Na xícara o chá de erva doce frio amargando sobre a mesa estampada de lírios brancos entre losangos. Vê as árvores que o vento empurra pra dançar através da vidraça limpa, no céu trafegam nuvens apressadas, o mundo em movimento e ela só quer ficar ali parada sentindo a poeira aterrizar no seu braço estendido, segurando o celular apagado.

E porque nada acontece, ela quer que a noite durma depressa e apague o dia, que a luz que tudo revela esmaeça lentamente e mostre apenas singelos perfis da vida fora, que a espera se desfaça com alguma novidade que brilhe feito um vaga-lume na sala escura. Um toque.

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