Olhos

Eu olhei pra ela e tinha nos olhos o filho e de repente a loucura toda que fazia a minha cabeça girar na cadeira balançante da roda gigante. Um meio eclipse solar e o calor do dia fazendo acelerar a vida, o coração e a morte piscando no brilho da arma que vi de relance. Que saudade, mãe, diz pra ele! O brilho do calor na testa, o sol marcando o compasso do dia, o sorvete derretendo no asfalto infernal, um choro de criança pulsando nas têmporas, fazendo ruir a cabeça que ainda gira levada pelo brilho dos olhos da mãe, do filho, da alma acorrentada no sonho distante. É nonsense! gritou o homem com o jogo do bicho apontando pro céu. Eu olhei de novo e tinha a mistura do dia com a prece da noite, o desejo dando voltas ao redor como o brinquedo do parque que faz a rir a criança que tem seus olhos. E tudo não passa de vida e calor, de gente passando com os olhos fixos na mão da cigana que queria minha mão e aceitava cartão. O dia segue morrendo e os olhos pichados nas paredes dos muros sujos da cidade em chamas. Os olhos da mãe, do filho.

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