Quietas escritas

É tanto silêncio querendo ser voz que às vezes penso que escuto o que preciso. Em seguida, não é nada, é só meu lado avesso desbotado inventando promessas. Do vôo impossível ao espaço sideral, qualquer coisa, sem máscaras, sentindo a falta do ar e das mãos entrelaçadas depois do sexo, o vazio, a dúvida que o silêncio lança aos nossos pés. E ficamos parados atônitos interpretando errado as linhas, as entrelinhas, o nada. A realidade é bala perdida no tiroteio de nós, a gente nunca sabe de onde vem a graça ou o peso que fecha as pálpebras. O que você nunca diz? Sou o nome que sua língua não toca, maçã proibida, pergunta sem reposta. A lacuna em branco na prova, o erro na tua gramática, sem som, nem tom. Fecha os olhos e me esquece, me apaga, enquanto lambo o sangue das letras que te escreveram pra sempre em mim.

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