Um minuto de silêncio, por favor.

Ela estava naquele espaço estranho de tempo e silêncio quando o motor do carro é desligado e os vidros estão todos fechados. Deixou-se ficar por alguns momentos, ouvindo a própria respiração e sentindo de repente como se o mundo passando lá fora nem existisse, a mulher de sombrinha e roupas coloridas, a criança chorosa sendo arrastada pela mãe apressada, o homem no banco da praça que olhava a bunda da moça de jeans apertados, ninguém, todo mundo, nada, tudo numa espécie de tela de cinema onde as coisas passavam, caladas, insignificantes. Os carros coadjuvantes silenciosos, um pássaro, outro, o movimento quase inaudível do ônibus escolar, tudo distante e incongruente. E então o som do celular tocando, a realidade chamando, a porta se abrindo e o som cobrindo tudo de beleza, horror, espanto.

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