Entrevista com o reitor da USP: Prof. Dr. Marco Antonio Zago

2014 foi um ano de muita agitação na USP. Desde o problema na USP Leste, passando pela questão segurança até a crise financeira da Universidade. Talvez o homem mais notório atrás de tudo isso foi o reitor Marco Antonio Zago, graduado em Medicina pela FMRP, mestre e doutor pela mesma faculdade. Assumiu o cargo no início de 2014 e conduziu uma série de medidas polêmicas, fato que desencadeou a greve da USP neste ano. Diante disso o Cê-viu? realizou uma entrevista com nosso reitor para nos deixar a par da situação geral da universidade, fazer uma análise do seu primeiro ano no cargo e expor seus planos para o próximo ano.


No momento em que o senhor assumiu a reitoria da USP, como estava a situação financeira da universidade?

Quando assumimos a reitoria, já sabíamos que havia dificuldades financeiras, já tínhamos indícios disso no final do segundo semestre de 2013. No entanto, o tamanho e a gravidade da situação ficou evidente somente no momento em que assumimos e recolhemos todos os dados da universidade. Isto, em parte, se deve ao fato de que, no ano final do ano passado, não ocorreram as reuniões do conselho universitário relacionadas à questão orçamentária. Na USP, tradicionalmente, as duas últimas reuniões do Conselho Universitário tratam especificamente da questão orçamentária, mas de 2013 para 2014 isso não ocorreu. Sendo assim, ninguém tinha um balanço exato da situação financeira naquele momento, foi só no início de 2014 que vimos que tínhamos um grande problema representado com o excesso de gasto com pessoal.


Então o Conselho Universitário em geral não tinha conhecimento da situação exata?

Essa é uma coisa que não se pode responder com segurança, o fato é que o Conselho Universitário toma conhecimento formal quando as coisas lhe são apresentadas formalmente; claro que cada conselheiro ou identidade pode ter acesso a informações, mas no ponto de vista formal é na reunião do conselho universitário que tradicionalmente o presidente da Comissão de Orçamento de Patrimônio traz um informativo no início da reunião dizendo qual é a situação financeira da universidade naquele momento. Ano passado não ocorreu nenhuma reunião do conselho universitário, salvo em uma no dia 1º de outubro que tratou exclusivamente do processo eleitoral. Então não houve informação formal ao conselho universitário sobre a situação financeira da universidade.


Nesse primeiro ano de mandato, quais foram as principais medidas adotadas pela reitoria no combate à crise orçamentária?

Quando nós assumimos entendemos que a universidade tem dificuldade e problemas, o que é natural de qualquer grande instituição. A USP conta com 100 mil pessoas envolvidas e chegou a esse tamanho sem que a sua gestão tivesse de fato se planejado pra isso, fomos apenas nos adaptando a esse crescimento. Quando assumimos percebemos que haviam dois grandes problemas que tomariam grande parte do nosso tempo: a questão da USP Leste e a situação orçamentária da universidade.

Quando nós assumimos, o campus da USP Leste estava interditado e esse não era um problema menor: 5 mil estudantes estão lá com outro grande número de professores, cursos, laboratórios e etc. Nós abruptamente fomos barrados e tivemos que nos organizar em dois meses para acomodar toda esse contigente, não estávamos preparados para isso. A afirmação que a USP já estava ciente desse problema a muito tempo e que não se tomou providências para resolvê-lo é verdade, mas o fato é que: quando assumimos a USP Leste já estava barrada e nos levou muito tempo para acomodar todo o pessoal. Claro que o resultado não é satisfatório, você não acha facilmente um lugar na cidade de São Paulo que comporte 5mil alunos, o refeitório, bibliotecas e assim por diante, além de que tivemos que resolver o problema específico que levou à interdição do local. Neste aspecto nós conseguimos com o tempo equacionar os problemas, conseguimos acomodar os alunos e retornar para lá.

Além disso, havia o problema orçamentário, hoje, estamos gastando com salários mais do que recebemos de repasse do ICMS, além disso gastamos cerca de 15% adicionais com a manutenção da universidade (material de consumo, transporte, contratos, permanência estudantil, bolsas e etc). Se estamos gastando mais do que estamos recebendo o dinheiro tem que sair de algum lugar, no caso de uma reserva, uma poupança que se formou ao longo dos anos em que a universidade gastava menos do que nós recebia. Quando nos defrontamos com essa situação tínhamos dois objetivos: primeiro, na medida do possível proteger essa poupança, que está reduzindo rapidamente, e segundo, recompor a situação financeira da universidade principalmente onde está nosso maior problema: recursos humanos.

Para proteger a poupança, uma das medidas foi reduzir gastos com obras de grande proporção, que estavam sendo sacados dessa poupança, então houve obras que foram interrompidas. De início paramos tudo, agora o Conselho da Superintendência de Espaço Físico vai criteriosamente estudar quais as obras prioritárias, nas quais podemos alocar recurso, como por exemplo o teatro Guarnieri. Obras que atendam cursos de graduação são prioritárias sempre.

A segunda medida foi o reequilíbrio financeiro, quando você olha o gasto da universidade com pessoal você vai ver que, hoje, a USP gasta 38% do orçamento com docentes e 62% com servidores, a massa de servidores na universidade é muito grande. Isso não quer dizer que acreditamos, como afirmam os sindicatos, que os culpados da crise sejam os servidores. Eu nunca disse e nem penso isso, servidores qualificados são essenciais pra vida universitária em qualquer lugar do mundo. Eu tenho uma carreira fundada em produção científica, coordenei laboratórios altamente competitivos e os servidores técnicos tem um papel fundamental. Isto é um fato, outro fato, que não contradiz a esse, é que nós temos muita gente e pagamos salários que na visão externa, não minha, estão acima dos salários pagos pelo mercado. Temos muitos funcionários? Temos, principalmente quando comparamos com outras instituições, especialmente com as estrangeiras.

Uma universidade do tamanho da nossa, a Universidade de Bologna, que tem em torno de 87mil estudantes, tem 3 mil professores, 3 mil funcionários e 2 mil terceirizados. A USP tem 6 mil professores, 17 mil funcionários e cerca de 2 mil terceirizados, nossa força de trabalho tem 22 mil pessoas. Para começar a mudar isso, uma das medidas criadas foi o plano de incentivo a demissão voluntária, isto é, funcionários com grande tempo de serviço terão vantagens caso peçam demissão. Algumas pessoas dizem que vamos perder funcionários em áreas críticas, mas essa é uma oportunidade também da universidade se reestruturar do ponto de vista administrativo. Concomitantemente a isso nós temos um programa de mobilidade de funcionários, para que possamos enxugar e depois transferir funcionários para outras funções. A terceira coisa que devemos fazer é modernizar o fluxo de documentos, decisões e etc, temos sistemas extremamente arcaicos que derivam do fato que a universidade ter crescido sem planejamento. Agora é uma oportunidade de revermos essas coisas.

Ao lado disso, há outras medidas que teremos que tomar, entre elas a universidade se desfazer de gastos que não são tipicamente universitários. O maior exemplo a questão do Hospital Universitário (HU). O HU tem uma função importante no atendimento médico da população, mas praticamente não existem mais exemplos no mundo de hospitais geridos pela universidade. Nos EUA não há, na Itália existem 3, todos vivendo uma crise financeira, porque a quantidade de recursos que o hospital drena são imensos e não é necessário que o hospital pertença a universidade para que se possam fazer ali atividades universitárias. Tomo dois exemplos: o Hospital das Clínicas da FMRP, que conheço muito bem, há mais de 25 anos possui gestão vinculada a secretaria da saúde, o superintendente do hospital é um professor da faculdade de medicina, o conselho deliberativo é formado por professores dela e todas as atividades que lá são feitas são controladas pela FMRP sem que a universidade ponha dinheiro nisso, pois é uma questão que interessa a saúde pública, o hospital atende à população. Um outro exemplo é o HC de São Paulo, toda a gestão está ligada a secretaria da saúde, mas quem controla aquilo é a faculdade de medicina.

A ideia é vincular o HC ao Hospitais das Clinicas. O HC, que tem 7 institutos, teria mais um. Qual a dificuldade?


O senhor acredita que o aumento do repasse do ICMS à universidade resolveria o problema? Ou cortes de orçamento também são necessários? Como essa equação se equilibra?

A pergunta ai não é essa, a pergunta é: essa seria uma solução viável? Ter sonhos faz parte da vida, mas os sonhos tem que se adaptar à realidade. Quem decide a questão do repasse não somos nós. Nós temos, dentro da USP, que tratar daquilo que nós podemos fazer. Há coisas que seriam muito melhores se a lei fosse diferente, mas pra mudar a lei você deverá conversar com deputados, com o senado e o governo e convencê-los que aquela é uma boa medida. Enquanto isso não acontecer temos que obedecer a lei, e hoje ela diz que o repasse a universidade é de 9,57% do ICMS.

Em volume esse recurso vai crescer menos do que o esperado para o próximo ano, porque a situação econômica do pais não vai bem, portanto o ICMS do Estado no ano que vem será maior que desse ano, mas não crescerá tanto quanto gostaríamos. Esta é a realidade, mas nós vamos pedir pro governo mudar? Podemos pedir, já mandamos um ofício pedindo, mas essa decisão não é nossa, essa decisão é do Governo do Estado e da ALESP. Dizem que a nossa gestão é contrária a isso, claro que não somos contrários, se os recursos aumentarem seria ótimo, mas é uma questão de realismo, temos que tratar com o orçamento desse ano. A lei de diretrizes orçamentarias deste ano já foi votada, e nós vamos receber 9,57% do ICMS.


Qual a repercussão esperada pela reitoria ao divulgar a folha de pagamento da universidade?

Alguns dias tivemos uma mesa redonda, com participação da imprensa, chamada “A USP e a sociedade”. Nesse evento, um dos jornalistas disse: “Eu não gostaria que meu salario fosse divulgado”. No entanto esse é um ônus a que tem que submeter todo funcionário público, a sociedade tem direito de saber o quanto ela está pagando para cada servidor. Portanto, não é uma questão de gostar ou não, acho que temos que fazer isso porque todas as entidades e organizações do Governo fazem. Isso trará muitos benefícios, inclusive o de desfazer mitos. Desfazer o mito de que a USP está em péssima situação financeira porque aqui está cheio de gente ganhando acima do teto do governador. Já fizemos uma conta, se abatêssemos o excedente do teto seco do governador isto corresponderia a 0,06% do que gastamos com salários. Então não é isso que cria dificuldades para a universidade.

As pessoas poderão ver os salários e os comparar, e poderão observar uma coisa muito grave pro futuro da USP: Que a questão do teto salarial, ao longo prazo, fará com que percamos competitividade. Por exemplo, hoje, em São Paulo, existe dois tetos salariais: o das universidades paulistas, que está em torno de 20 mil e o das federais instaladas aqui, que é 29 mil reais. Tem quase 10 mil reais da diferença do teto das federais e estaduais. Isso a longo prazo criará uma dificuldade séria para as universidades paulistas e vai fazer com que percamos competividade. E estes salários não são um mar de marajás, porque veja, estes salários são para quem está há 25, 30 anos na universidade com dedicação exclusiva, ou seja, não pôde trabalhar no mercado e abriu mão disso pela carreira universitária.


Nos últimos anos ocorreram vários incidentes que levaram a contestação da segurança dentro e ao redor do campus. Como o senhor vê esse problema e quais as medidas tomadas pela reitoria para solucioná-los?

A questão da segurança exige que todos os envolvidos entendam que ela deve ser planejada para nos proteger. Então seria necessário despir essa questão de conotações políticas e ideológicas e tratarmos da maneira mais pratica possível. Ocorrem crimes na área do campus da USP? Ocorrem. Ocorrem crimes na área dos Jardins e do Centro? Ocorrem. A característica não é muito diferente, fazemos parte de uma grande cidade que tem um problema de segurança. Quem trata da questão de ocorrências criminais na Paulista ou no centro velho da cidade é a polícia, é uma questão de polícia, não adianta politizar isso. Guarda universitária não serve pra isso, é uma guarda desarmada, que não vai prender bandido, é uma guarda principalmente patrimonial, de regulação de fluxo de pessoas, ela não vai coibir crimes na área da universidade. Temos que ter um acordo, claro que a universidade tem que tomar medidas para melhorar seu sistema de segurança, por exemplo o sistema eletrônico. Isso é fundamental e acontece no mundo todo, o sistema eletrônico de vigilância facilita enormemente pois permite, com uma quantidade de pessoal muito menor, onde o risco de ocorrências é maior.

Agora, ao lado disso há uma questão muito especial, que é a questão de festas. A USP não é um clube, é uma universidade. Organizar um evento com 2 mil a 4 mil pessoas não é trivial. Demandam pessoas qualificadas, treinadas pra isso, é necessário obedecer uma série de requisitos de segurança. Então permitir que os CA’s realizem festas dessa dimensão para, com isso, arrecadar dinheiro para sua sobrevivência configura uma visão muito simplista da situação, porque eles perdem controle depois, pois a universidade não tem segurança treinada e nem faz parte dela organizar festas, assim acabam acontecendo desastres. Já aconteceu e eu tenho certeza que, se continuarem ocorrendo esses grandes eventos, haverão novas tragédias, é impossível conter isso, porque nós não temos estrutura para isso, não é nosso objetivo. Essa questão tem que ser repensada, os próprios estudantes precisam entender que esses grandes eventos tem que ser preparados e feitos em locais diferentes onde haja estrutura e segurança.


O senhor acredita que o convênio USP/PM foi efetivo nos seus objetivos?

Acho que a questão central não é o convênio, porque como se trata de um espaço público a responsável pela segurança pública é a PM , não cabe a nós controlarmos a segurança. O que precisamos, mais do que convênio, é um acordo. Conversarmos sobre como e de que jeito nós devemos tratar a presença da polícia aqui. É inevitável o exercício da autoridade policial, que não nos cabe. Querer limitar a ação da polícia vem de coisas do passado e não acho que neste momento precisamos disso, acho que devemos ter uma atuação muito prática, quais são as questões que precisamos resolver e como vamos resolvê-las. Vai haver ronda? A PM será chamada só quando houver queixa ou precisaria de um policiamento preventivo? Nós temos que nos resolver com relação a isso. Quando ocorre alguma coisa reclamam que não tem polícia, quando a polícia aparece dizem que ela esta aqui para reprimir a liberdade de pensamento. Temos também que dialogar com a polícia, existem escalas de comportamento que são mais perigosos e outros que são menos.


Qual o seu feedback do primeiro ano de gestão? Quais foram, na sua opinião, os erros e acertos?

Uma parte significativa desse ano foi gasto resolvendo essas duas grandes questões: a USP Leste e a situação financeira, nenhuma das duas estão definitivamente resolvidas, mas foram equacionadas e portanto permite que outras questões poderão agora ter um caminho mais aberto. A mais importante delas é a questão da reestruturação dos cursos e de todo o sistema de graduação na USP. O pró-reitor vem tratando isso com muita assiduidade e na próxima reunião do conselho universitário já vamos votar uma modificação de estatuto que aumenta a responsabilidade das unidades nas decisões que dizem respeito aos seus próprios públicos, com as modificações curriculares. Vamos simplificar esse processo e os órgãos centrais terão um caráter muito mais regulatório, as decisões poderão ser feitas dentro das próprias unidades.

Nós temos tratado da questão do ingresso da universidade e esperamos que no ano que vem possamos fazer modificações no sistema de acesso a universidade. O acesso à universidade não precisa obrigatoriamente ser um único formato. A FUVEST vai continuar tendo um papel significativo na seleção dos estudantes, mas podemos sim estudar métodos adicionais que complementem a FUVEST. Além disso, devemos nos inserir nos sistemas de avaliação global de ensino no Brasil, como o ENADE. As vantagens disso serão enormes, não só para o sistema, que poderá ser aperfeiçoado, mas também para conhecermos melhor os nossos pontos fortes e fracos no que diz respeito ao ensino de graduação. Fazer gestão sem informação é ilusão, temos alguns indicadores externos de qualidade, mas precisamos de algo mais regular que nos comparem com os outros.

Ao mesmo tempo estamos reformulando o sistema de estrutura do sistema digital para dar apoio aos cursos de graduação. Outra questão que está sendo encaminhada é a reforma do próprio estatuto da universidade. Há opiniões muito divergentes em relação a isso e essa questão inclui o sistema de eleição de dirigentes. As discussões estão encaminhadas, mas no início do ano que vem tomarão um folego maior porque haverá um processo decisório.

Também queria chamar atenção dos estudantes e pedir que eles participem ativamente de um grupo de trabalho que está tratando da reforma dos regimes de trabalho docente. É algo que diz muito respeito a vida dos docentes, mas afeta direta ou indiretamente os alunos. A avaliação dos docentes vem sendo criticada por haver uma baixa valorização do ensino de graduação em relação a outas atribuições dos docentes, o que faz com que o docente se dedique pouco a isso. Essa questão vem tomando volume cada vez maior e peço que esse grupo de trabalho analise a heterogeneidade de atividades dos docentes nas diferente áreas. É interessante reconhecermos que existem perfis diferentes de docentes, existem docentes mais importantes para produção científica, mas também existem professores importantes no ensino de graduação, que também merecem reconhecimento.


Quais os desafios para a universidade nos próximos anos?

Acho que a universidade tem muitos desafios e certamente não serão todos resolvidos nesta gestão. Talvez o maior desafio da universidade hoje seja se modernizar. A universidade surgiu na era medieval, a história passou e as universidades não desapareceram, muito pelo contrário, se fortaleceram e são hoje fontes de referência na sociedade, pois ela trata de questões centrais: a formação de pessoal qualificado, a criação de conhecimento e sua análise crítica. Mas ocorreram mudanças na sociedade, a universidade deixou de ser a única fonte de formação de pessoal qualificado e portando estruturas menores ocupam espaços importantes. Ela deixou também de ser a única fonte de geração de conhecimento e de inovação. No Brasil, as universidades ainda são os principais institutos de geração de conhecimento, mas em muitos outros países o cenário é outro. Então a universidade tem que se adaptar a esse mundo novo e encontrar uma maneira de conviver com estas mudanças. As mudanças na universidade, no entanto, ocorrem lentamente, porque a universidade não é como uma empresa onde as decisões podem ser tomadas e impostas muito rapidamente, nas universidades este é um processo lento, porque ele passa pelo convencimento. Nenhuma decisão se impõe na USP se não houver convencimento. Isto torna difícil acompanhar as mudanças da sociedade que são cada vez mais rápidas.

Um exemplo disso, é que o nome da sua qualificação torna-se cada vez menos relevante. O Brasil ainda tem uma cultura de conselhos que aprovam diplomas, mas a sociedade é muito mais dinâmica que isso. Vocês conhecem muito bem o exemplo de que o mercado financeiro foi uma época inundado por pessoal formado na Poli e ainda são altamente competitivos, se formam com o título de engenheiro mas vão atuar no mercado financeiro. Situações como essa vão ficando cada vez mais frequentes, o que quer dizer que a universidade precisa pensar que é mais importante para a sociedade reestruturar cursos. Nos EUA, por exemplo, algumas grandes universidade tem cursos chamados “Barchelor in Liberal Art” que é qualificado para o que der e vier. Ele tem algumas formações básicas seja em literatura e comunicação (que é uma deficiência enorme na universidade, a capacidade de nossos estudante de se comunicar), uma formação meio avançada em matemática, em algumas das ciências naturais e em artes. Esta pessoa vai estar preparada pra vida e pode se complementar caso necessário. Essa divisão em profissões e sub-profissões carimbadas em diplomas está cada vez mais perdendo relevância e a universidade tem que estar preparada para isso.

Minha mensagem final, que é outro desafio, é recuperar esta participação universitária da maioria silenciosa. A grande movimentação da universidade hoje se faz com uma parcela muito pouco significativa das pessoas que estão na universidade e isto não é bom. Fazemos reuniões, seminários para discutir questões da vida e do futuro da universidade e as pessoas não se interessam. Parece que as únicas coisas que atraem o público são as eleições de reitor e composição de colegiados, fico assustado com isso. Então minha mensagem é: os estudantes são o motivo da vida da universidade, agora, a relevância deles na universidade se dará da participação deles mesmos, os estudantes de um modo geral precisam se fazer muito mais presentes na universidade. A participação dos estudantes será sempre conflituosa, criara discussões, mas isso que traz vida a universidade. O que não é bom é quando a gente vê uma pequena parcela dos estudantes repetindo alguns mantras que passam com uma visão. Está faltando ouvir a diversidade dos estudantes na vida da universidade, não tenho nenhuma restrição em conversar continuamente com os estudantes, gosto disso, mas gostaria que as vozes fossem mais diversificadas.

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