Comprei um carro elétrico usado de 8 anos. E agora?

Clemente Gauer
Jul 29, 2018 · 16 min read
i-MiEV carregando na Rodovia dos Bandeirantes

Um Mitsubishi i-MiEV, Japonês “keijidōsha 100% elétrico.

Não, ele não vai longe. Não, ele não é bonito. Não, ele não “impõe respeito” e para muitos, que por algum motivo carecem de reforçar sua virilidadepara pegar as mina” ou seu status através de um carro, este Mitsubishi é uma péssima opção. Sequer dar aquela acelerada na porta da balada para chamar atenção vai conseguir.. Rsrs

O i-MiEV foi um dos primeiros carros puramente elétricos produzido em em massa no Japão. Ele é construído sobre o Mitsubishi i, um carrinho adorado no na terra do sol nascente. Ele é um pequeno e estreito kei-car ou se preferir, um “keijidōsha”, feito para transportar 4 adultos com conforto, com a possibilidade de serem acompanhados no porta-malas de alguns legumes para um delicioso lamen.

Perfeito para nossa estreita entrada de casa!

Os kei-car são assim estreitos e meio estranhos, pois no Japão podem ser comprados por pessoas que não possuem garagem. Como espaço, no caso a falta dele, é uma grande questão no Japão, um kei-car deve por lei ser compacto o suficiente para não atrapalhar o espaço público. Como são civilizados não?

Um elétrico?

Sim! Silêncio, simplicidade, agilidade e acima de tudo, admiração pela tecnologia.

Minha nerdice técnica também me fez instalar painéis solares no teto de casa, um dos primeiros sistemas homologados já em 2015. Em 3 anos o investimento estava quase pago e agora literalmente sobrava energia… Um carro elétrico era uma consequência. Enquanto o governo queima o país com seu atraso, eu queimei a largada comprando um elétrico usado.

Acompanhe aqui o rendimento da nossa energia solar em tempo real.

Nada de filtro de ar, filtro de gasolina, trocas de óleo, correias, velas ou revisões. A única coisa que ele precisa é a palheta do limpador (singular) e o fluído de freio a cada 2 anos. Nem mesmo as pastilhas de freio estão nos itens de desgaste comum. Pelo fato de seu freio recarregar as baterias através do motor a cada desaceleração, função exercida pelo tal “freio regenerativo”, as pastilhas estão lá mais para emergências, dizem que elas tem vida estimada em 500mil Km, isso mesmo, meio milhão de Km!

Este é o “motor” do carro. Nada de filtros, correias, válvulas, óleo ou velas de ignição. Apenas o fluído de arrefecimento que deve ser trocado a cada 20 anos. À esquerda o carregador e conversor de voltagem DC-DC. À direita o inversor/controlador do motor. Cabos laranjas? Neles passam mais de 12Volts, tensão variada de 110 a 400 Volts.

Carros elétricos são incríveis! Na subida eles gastam mais, mas na descida eles recuperam grande parte da energia que gastaram para subir. Em teoria, um carro elétrico seria capaz viajar eternamente sem abastecer, no caso de você transportar passageiros sempre morro abaixo, o peso extra descendo e regenerando a energia, poderia em tese levar o carro de volta para cima. Teoria, claro, pois os passageiros deveriam ser mais pesados que o próprio carro. Mas isso acontece com um trem!

À esquerda a carga da bateria (no caso quase vazia, pois ainda não apareceu a Tartaruga Amarela) . No centro o indicador de consumo e regeneração de energia. À direita a autonomia estimada de acordo com com o estilo de direção, velocidade e relevo dos últimos 25Km.
O indicador da direita mostra também o hodômetro parcial com a real quilometragem percorrida nesta carga.

Um desejo antigo que nasceu bem tosco

Minha admiração pelos elétricos também não é nova. Numa espécie de concurso de invenção do colégio, minha “invenção” foi um triciclo elétrico, um horroroso híbrido entre uma velha Monareta, um motor de limpador de para-brisa de Ford Galaxie e uma pesada bateria de chumbo. Era carinhosamente apelidada de Ecomovel. Claro de tão lerdo, na maior parte do tempo, ele acabava sendo empurrado pela galera.

Um pouco sobre o dono. Contexto…

Meus amigos das bikes e alguns mais dos fóruns de sustentabilidade vão me crucificar, mas tenho uma certa queda por carros. Sim, carros! Esta coisa poluente, corpulenta e carregada de valores em rápida decadência entre os millennials. Tive um Fusca, alguns Land Rover Defender, populares 1.0 e claro dois Subarus, os últimos nunca poderiam faltar na lista de um quase assumido petrolhead.

Mas foi dos carros pequenos que eu sempre mais gostei. São ágeis, discretos e simpáticos. Os únicos carros que deixaram saudade foi o Fusca 78 que comprei baratinho do Marcão, um Honda Fit discretão e um valente Suzuki Jimny (já viram o modelo 2019? Meu deus, até a alavanca de reduzida voltou!) … Tive sorte de ter evitado o Fiat 500 Abarth, um “pocket rocket” que sempre esteve na minha lista. Quando finalmente este 500 chegou aos “steallers”, minha vontade havia passado. Ainda bem! Dizem ser um p. carro!

Em resumo, um verdadeiro elétrico sempre esteve na minha lista, algo inatingível dada a proibitiva tributação para os elétricos aqui nas nossas capitanias hereditárias (até a pouco, igual a um esportivo de luxo com motor V12). Sim, existe a relativamente cara opção do BMW i3, mas apesar de ser um carro incrível, teria algum receio de andar por aí com seus pneus aro 20". Em função da sua excessiva sofisticação, sempre dando um ou outro probleminha, provavelmente seria eternamente refém do caríssimo pós-venda da marca. Nem falar do fato de estar andando por aí de “Bêeme”, não sei se combinaria com a música de nossas perigosas ruas.

“Como você achou este carro?”

Pelo “Feice”.

Pintou no timeline do Leonardo Celli Coelho, um agitador da mobilidade elétrica e sustentabilidade fotovoltaica. Aliás acabou de dar um relato legal no Jornal Nacional. O Leo também é um dos cabeças da ABRAVEI, uma associação de donos de carros elétricos, bastante presente em eventos e até mesmo no famoso App localizador de carregadores PlugShare; seu logotipo consta no lugar da imagem de muitos dos pontos de carga do país (sutil puxão de orelha na ABRAVEI rsrs).

Post do Leo:

Tirando a “Pechincha” o resto eu concordava…

“R$ 62,990,00 por um carro elétrico de 8 anos, usado, raro, sem garantia, cadastrado errado no OLX, numa concessionária de Sete Lagoas, MG?”

Põe risco nisso Leo!

O anúncio era de uma concessionária chamada “Akka”.

Liguei pelo telefone do site deles, não pelo número do OLX. Vai que era um golpe…

Caí na mão do Samuel, atencioso vendedor dos semi-novos.

Já lhes adianto, o Samuel é o melhor vendedor que passou nesta timeline de 38 anos.

Fique aqui novamente registrado Samuel; se um dia tiver um negócio, vou te convidar para trabalhar comigo! Ô vendedor esforçado e rápido no gatilho do “ZapZap”! E olha eu judiei do Samuel (continuo judiando aliás)… O cara não estressou nem espanou! Sequer perdeu a educação e a paciência! E eu sou chato! Caramba! Aliás Samuel, cadê os documentos Samuel!

Então liguei para o 031 algumacoisa

“Samuel, eu quero o carro”

No melhor mineirez escutei:

“Clemente, vendi já!”

Ah não! Lá se foi! Cheguei tarde. Ele foi vendido para o Adalberon, outro fanático por energias renováveis. Estes loucos!

…mas Samuel tinha na manga outro i-MiEV, um vermelho e mais antigo.

Ahh mineiro!

“Quanto Samuel?”

Do outro lado responde um bom vendedor (que acabara de vender um raríssimo carro elétrico sem garantia em tempo recorde):

“R$ 68 mil…”

Não me segurei:

“Pô Samuel, mais velho, mais feio e mais caro?”

E assim começa uma negociação que se arrastou por 30 dias.

A vistoria do carro

Deu que o carro estava em SP. Era usado pela Mistubishi como carro de exposição/demonstração. Sim, até o Lulaladrão que roubou a nação ou o nosso coração, já tinha dirigido o bendito carro! Só eu que não!

É verdade!

Lula fazendo um High Four!

O carro estava numa prestadora de serviço de blindagem para a Mitubishi. Acabei até ficando amigo dos caras, uma simpática família que toca o negócio.

Dei uma volta no carro, minha primeira vez com um elétrico! Mas algo estava errado. Apesar da sua baixa quilometragem, 7300km e da bateria estar quase cheia, a autonomia estimada era de meros 51Km. Nada bom! Poderia ser sintoma de decadência da bateria por falta de uso ao longo destes 8 anos. Mas havia lido apenas coisas positivas sobre sua longevidade.

Me deram a letra…

“É que ele ficou carregando, mas a carga está parando antes de completar”…

Hum, este negócio está meio arriscado.

“Samuel não quero mais, isso é uma bomba relógio.”

E assim por curiosidade cabei entrando num fantástico fórum gringo de i-MiEVs. Comecei a compartilhar com os caras todo o processo. Que gente legal! Técnicos e fuçadores! Me deram aquele amparo típico de grupos de autoajuda; afinal, se o carro aqui já é estranho, imagine nos EUA! Apesar da discriminação que sofrem por andarem com o “carro da Barbie”, os caras são apaixonados. Promovem encontros, fazem mini aventuras e filmam até troca de pneu!

Deu que acabei me sentindo confiante e amparado, decidindo que a falha na carga provavelmente era do cabo carregador, este feito para Europa e seus pacatos 50Hz, enquanto aqui deviam ser agitados e rebolantes 60Hz. Os pneus também estavam murchos e assim poderiam ter comprometido negativamente a autonomia.

Via a comunicação exclusiva da concessionária com a fábrica, disseram oficialmente que “tUUuuudoOOo BeeEEmmm”, é assim mesmo. A freqüência é diferente e se deram ao trabalho de escrever 50Hz e não 50–60Hz. Certamente se algo der errado, vão culpar o carregador. Pior, o plugue que deveria ir na tomada de casa é do tipo Schuko, padrão alemão, bem como parte do texto na sua caixa, também no mesmo idioma. Como de praxe, o atendimento ao consumidor sendo prolixo e nada prestativo…

Detalhe do carregador! Aprovado até pelo TÜV! Hallo Deutschland! 50Hz por aqui só Paraguai e outros hermanos.

E Samuel era atrevido, mandou finalmente uma foto da bateria 100% carregada!

Com uma bateria cheia, era hora de testar novamente o carro.

“Samuel, agora quero testar esta “bomba” mais uma vez, quero rodar até acabar a bateria!”

Samuel topou! Acompanhado de engenheiro de qualidade da blindadora (vai que desapareço com este carro ultra comum) ouvi um conselho educativo de um dos donos da blindadora:

“Vocês não são crianças, voltem antes de acabar a bateria”.

“Sim senhor, senhor!” rsrs

Deu que rodamos 80-90km sem maiores problemas.

Pronto, tudo aparentemente em ordem.

“Samuel, agora vamos falar do preço!”

Mais 15 dias e eis que o coração do Samuel finalmente amolece chegando a um bom valor. Agradeço dona Carlota minha mãe, que me ensinou a arte da negociação. Certamente tínhamos bons comerciantes entre os antepassados.

Claro, pelo desconto que tive, o chefe do Samuel deve ter pego este carro da Mitsubishi como scrap, sobra…

Fato é, com o valor do carro, não daria para comprar um Toyota Etios automático seminu…

Até que ele quebre sem opção de reparo, o que sinceramente espero que jamais aconteça, fiquei satisfeito.

Com o carro na garagem, como é o dia-a-dia com um elétrico?

É ótimo! De imediato os carros a combustão e todo seu barulho parecem pertencer ao passado, juntamente com as locomotivas a vapor. No fundo pertecem… Fedidos, complexos, barulhentos e extremamente lerdos no anda e pára das cidades. Na verdade fui injusto, as locomotivas à vapor eram até melhores, também dispunham do torque máximo em rotação zero, aliás, isso era até um problema;)

Um carro elétrico anda sem qualquer barulho. Toda sua força está disponível mesmo com o motor parado, 100% de seu torque máximo pode ser colocado nas rodas em 0 RPM. Por hora se escuta o leve zunido da excitação e da transmissão do motor, como a Antonia diz, “estou andando de tram”, ou um bonde no jargão europeu.

Esta pequena peça em alumínio, de talvez 40–50kg, é o motor do carro. Ele produz o mesmo torque/força de um motor 2.0 e a mesma potência de um 1.0. Peças móveis? Uma só!

Na prática e na cidade o pequeno e “ridículo” Mitsubishi não deixa nada a dever a um Subaru de 270hp… Sua força e imediatez de resposta ao acelerador é transformadora. Entrar naquele buraco no trânsito nunca foi tão fácil e seguro. Até o invocado e mal-educado BMW ao seu lado, reduzir a marcha, encher o turbo e injetar o combustível para então roubar o seu lugar no trânsito após você ligar a seta, coisa bastante comum na selva de São Paulo, você já está estacionando no seu destino com toda tranquilidade.

A tranquilidade! Que tranquilidade!

“Andar num carro elétrico é exatamente como levar seu sofá para dar uma volta pela cidade. Ao menos é isso que um carro elétrico nos passa; tranquilidade.”

Caramba! De fato agora entendo porque a indústria dos carros tanto se importa com o NVH, o tal do “Noise Vibration and Harshnes”. Realmente ele deixa a gente louco. Um zunido que nos acostumamos ainda dentro da barriga de nossas mães. Num elétrico? Andar num carro elétrico é exatamente como levar seu sofá para dar uma volta pela cidade. Ao menos é isso que um carro elétrico nos passa; tranquilidade. Pena só que os carros fumacentos ainda podem ser escutados à nossa volta. Com as janelas abertas sou capaz de reconhecer um Defender Tdi a 50 metros de distância, ou o barulho das folhas voando com o vento sobre o asfalto. Sem brincadeira! Meu professor de comunicação tinha razão, o silêncio é uma dádiva!

Manobrar em ruas íngremes é tão fácil que uma criança seria capaz de fazer logo na primeira tentativa. Torque, como é bom ter muito torque!

Vamos às perguntas mais escutadas!

“Quanto custa?”

Quando novo, custava aqui R$ 180mil. Agora usado, me venderam por ± 1/3 deste valor. Ainda assim, o valor estimado pela seguradora foi de R$ 92mil, que acredito ser um valor justo pelo seu custo-benefício. Seria este valor que eu ofertaria ele caso desejasse vender. Uma coisa já se sabe, se você transformar um Fusca em um elétrico com equivalente autonomia, sairá bem mais caro e ficará bastante pior. Nem ar condicionado vai ter. Controle de estabilidade, ABS e AirBags? Esquece.

“Qual a autonomia?”

Varia conforme o uso, velocidade e relevo. Na prática, no caos de São Paulo capital dirigindo sem excessos, 120Km.

Com ar condicionado ligado 100% do tempo, a autonomia cai para 84km. Mas aqui existe um detalhe interessante. Como um carro elétrico não tem um motor que produz calor digno de nota, o ar condicionado passa a ser dispensável na maior parte do tempo. Diferente de um carro movido por uma máquina térmica e milhares explosões por segundo, com escapamento quase em rúbro a 700˚C percorrendo e aquecendo todo o fundo do carro, um elétrico está sempre fresco. O vento que sai pela ventilação, sai na mesma temperatura do lado de fora. Para quem, como eu, que odeia ar condicionado, isso é uma benção!

“120km! Só?”

Parece pouco, mas para uma cidade como São Paulo, é muito. Carregamos ele uma, ou no máximo, duas vezes por semana. E diferente de um carro normal, o “posto” é a sua casa e funciona 24h.

Claro, carros mais novos, como Tesla e Chevrolet Bolt, tem autonomia de mais de 500Km, mas por aqui, um destes sairia uma nota, pois ainda não são trazidos oficialmente, infelizmente.

Com a bateria carregada, 120km será sua autonomia na loucura de São Paulo.

“Anda bem?”

Sim, até 100km/h como um carro 2.0 graças ao torque. Após esta velocidade os 18kgfm de torque começam a desaparecer rapidamente até entrar a limitação eletrônica de velocidade, 136km/h dos kei-car.

“E se acabar a bateria???”

Recarrega-se! Simples assim.

“Mas e se você estiver no meio da rua?”

Pergunta; você sai com seu carro sem antes abastecer com gasolina, deixando ele propositalmente morrer no meio rua? Sim? Neste caso chame um guincho até o próximo posto de recarga ou sua garagem.

:)

“Onde você carrega?”

Numa tomada qualquer, nos mercados Pão de Açúcar, na NeoSolar, nos Shoppings, no atacadão Makro e em muitos estabelecimentos comerciais. São muitos!

Aqui fui flagrado pelo Rodrigo Almeida da ABRAVEI com seu bacana BMW i3.

Na rodovia dos Bandeirantes, na Anhanguera, Dutra e outras estradas mais, existe já uma relativa malha de postos de carga rápida.

Carregador rápido do Posto Graal no Km 56 da Rodovia dos Bandeirantes em São Paulo.

Encontra-se estes locais com o seguinte App: PlugShare

São Paulo já tem uma boa rede!

Em casa instalei um carregador “Nível 2” JuiceBox Pro da eMotorWerks, ligado numa tomada de secadora de roupas e ao WiFi da casa. Agora ele carrega toda a capacidade do carro em 5 horas e remotamente posso ver quanta energia está indo para bateria, além de poder programar o horário de carga, quantidade de energia, corrente máxima, etc…

Carregador Level 2 JuiceBox 40A Pro c/ WiFi.
Interface para smartphone do JuiceBox. Os nerd pira!

“Quanto tempo leva para carregar a bateria?”

Numa tomada 110 Volts 16 horas

Numa tomada 220 Volts 5horas

Esta é a curva de carga aferida atrávez do carregador JuiceBox

Num posto de carga rápida CHAdeMO 30 minutos lhe darão 80% de autonomia, mas este número varia de acordo com a temperatura da bateria.

Cabo de carga rápida de corrente contínua (DC) CHAdeMO, 50kW. 30 minutos e 80% de carga.
2,53kW em meros 8 minutos e mais 14 minutos está pronto, 80% de carga. 50kW é muita energia!

“Quanto custa para abastecer?”

Em casa, nunca mais do que R$ 7 ou 8 .

Por enquanto, toda a rede de carregadores ainda é gratuita.

Em casa, sem produção solar e considerando o valor do kW em São Paulo em ± R$0,60, uma carga completa do i-MiEV (± 14kw) custará ± R$8.

R$ 8 para ± 100–120Km ou R$ 0,06 a 0,08 por Km.

Um carro a gasolina que faz 8km/l na cidade com por R$ 4 o litro (era o caso do nosso Toyota Etios 1.5):

R$ 50 para 100km

Ou seja, uma economia de no mínimo R$ 380 para cada 1.000 km. Em 10mil km economiza-se R$ 3800. Em 100mil km, praticamente paga-se mais da metade do carro.

Agora, se e você tiver energia solar no telhado de casa, ignore o cálculo, a conta fica de graça.

“Quais são os incentivos públicos para se ter um carro elétrico?”

Por aqui não muitos. Nos EUA oferecem até um alívio tributário de U$ 7mil.

Em São Paulo, temos isenção do rodízio municipal e 50% de alívio no IPVA, mas não sobre o imposto que se aplica sobre o imposto (ou coisa assim). Logo, o IPVA de um elétrico era para ser 2% mas é de 3% do valor do carro e não 4% como de costume num carro tradicional.

O Rodrigo Almeida da ABRAVEI explica bem melhor no blog dele:

“Quantos anos dura a bateria?”

Diferente das baterias de celular ou de chumbo de nossos carros, uma bateria de carro elétrico dura quase para sempre, pois conta com sistemas de controle de temperatura, margens seguras para evitar sobrecarga e descarga profunda, etc. Com o passar dos anos e dos quilômetros, a bateria vai lentamente perdendo sua capacidade. Em média isso ocorre após 150-200mil km, marca que geralmente vem seguida de uma degradação 10 a 15%. Mas existem Teslas por aí com 500mil Km nas costas e com autonomia muito descente, na casa de 90%. O mesmo acontece com o i-MiEV. Diz a Tesla que sua bateria pode durar 1 milhão de milhas, ou seja, 1.6 milhão de Km, 35 voltas no planeta terra pela linha do equador, suficiente né?!

A maneira como se carrega e se utiliza o carro também influencia diretamente a longevidade da bateria, exatamente como nossos celulares. Num carro porém, é recomendado que se evite manter a bateria continuamente com 100% de carga. Diferente das baterias de chumbo, quando as baterias de lítio estão 100% cheias, existe uma degradação mais acelerada. É como se sentir eternamente com a sensação de ter saído de um rodízio…

“Mas e o descarte da bateria? Baterias são ruins para o meio ambiente…”

Isso é verdade, mas apenas para a bateria de chumbo que todos temos em nossos carros. Baterias de lítio, que são as utilizadas nos carros de hoje, como o nome já diz, são feitas de lítio, um sal, extraído da superfície dos salares ou até da água do mar. Aliás, um conhecido remédio para esquizofrenia. Sim, mas estas baterias podem ter outros metais. Por sorte nenhum deles é perigoso para os seres humanos, em pequenas proporções. O cobalto já esteve até na cerveja para se evitar excesso de espuma…

“O carro pode ser limpo, mas e a energia elétrica? De onde vem? E se ela for suja?

Este é o o MAIOR FUD que existe sobre carros elétricos. Se você já leu este bordão, tenha certeza que os Koch Brothers fizeram um bom trabalho, a mensagem deles chegou até você!

Primeiro; um carro elétrico utiliza a energia de maneira quase ideal. Sua eficiência é na casa de 80 a 90%, contra 18 a 30% dos carros movidos a combustão.

Segundo ponto importante; usinas termoelétricas movidas a combustível fóssil tem um rendimento na ordem de até 48%.

Terceiro, a poluição das usinas não está passando na porta de nossas casas geralmente ficam em áreas afastadas.

Então, com os carros elétricos, temos uma total emissão de gases bastante menor e muito mais distante de onde a maior parte da população mora.

Por sorte a geração de energia elétrica está se tornando cada vez mais verde, até mesmo onde nunca se imaginou, como a Inglaterra, país do smog e dos dias nublados, teve recentemente seu primeiro dia, desde a revolução industrial, sem o uso de carvão na produção de eletricidade. Quem diria!

“E se quebrar algo sério e caro?”

No caso deste carro, um carro raro, usado, com 8 anos e fora da garantia; resta desmontar e vender a bateria e o trem de força. Ambos cobiçados pela turma que converte carros antigos em elétricos. Importar a peça usada também seria uma alternativa.

“Tem seguro?”

Sim, a Porto Seguros fez! Minha corretora, a Juliana Eid foi a pioneira (eu passo o contato dela por inbox). Deu trabalho, pois não existia elétrico puro no cadastro da seguradora. Fui o primeiro.

“E a segurança”

Ele tem:
4 estrelas no crashtest americano (ótimo).
6 AirBags
Controle de tração, estabilidade, frenagem em curvas e ABS.
Isofix
Acendimento automático dos faróis (autonivelantes).
Sensores de uso de cinto de segurança para todos os passageiros.

Alguns números do carro:

0–100 km/h: 11s
Velocidade máxima: 136km/h (limitada eletronicamente)
Autonomia: 100 a 160km
Potência: 68hp
Torque: 19kgfm
Transmissão: relação fixa, tração traseira
Peso:
1100kg
Preço quando novo: R$ 180mil

Conclusão:

Carros elétricos usados são um bom negócio, eles já pertencem ao presente. Aqui no Brasil ainda devemos levar um tempo precioso até pararmos de poluír nosso próprio o ar para nos transportar.

Se pensarmos que com um carro elétrico a energia pode ir do telhado de nossas casas diretamente para a roda dos nossos carros, no mesmo endereço, é de indignar qualquer um quando se pensa na complexidade e impacto da economia e logística do petróleo. Nem falar dos biocombustíveis presentes em toda a gasolina e Diesel à venda no Brasil. Plantar, colher, processar, transportar, abastecer, trocar óleo, filtros, etc… Hidrelétricas também não são belas. Já é mais do que hora para o país adotar uma política universal de atualização da sua frota.

27 de Julho, 2018

Clemente Gauer

Clemente Gauer

Written by

Um engenheiro de humanas trabalhando vendendo frutas. Curte e promove tecnologias sustentáveis como hobby.